Sobre Crumb e Shelton na Flip


Saiu no Caderno 2 de hoje.

Shelton: 'Alguma pergunta?'

Robert Crumb e Gilbert Shelton estarão na Flip

O primeiro falará sobre a HQ Gênesis; o Estado apurou que o autor de Freak Brothers também comparecerá

Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo

Robert Crumb, um dos mais celebrados cartunistas do mundo, virá ao Brasil pela primeira vez neste ano. O norte-americano, autor de Fritz the Cat e Mr. Natural, está confirmado para a Festa Literária Internacional de Paraty, que ocorre de 4 a 8 de agosto. O anúncio foi feito ontem pela organização, embora o acordo entre o curador da Flip, Flávio Moura, e a agente literária de Crumb, Lora Fountain, tenha sido firmado no fim do ano passado.

Ao Estado Lora afirmou que seu marido, Gilbert Shelton, criador da consagrada HQ underground The Fabulous Furry Freak Brothers, também participará do evento. Crumb e a mulher, a cartunista Aline Kominsky-Crumb, assim como Shelton e Lora, passarão seis dias em Paraty e seguirão para uma temporada de uma semana em Buenos Aires, onde têm amigos. Depois voltam para a França, onde vivem.

Crumb será entrevistado em uma mesa só para ele na Flip, na qual falará sobre Gênesis, graphic novel ilustrada a partir do texto original do primeiro livro da Bíblia e lançada em setembro do ano passado. De lá para cá, o cartunista passou algumas semanas divulgado o livro nos Estados Unidos, onde Gênesis teve exibições em uma galeria de arte de Nova York e no Museu de Arte de Los Angeles. Em janeiro, a graphic novel já havia vendido mais de 125 mil cópias apenas nos EUA. Desde então, o livro não saiu mais da lista de mais vendidos do New York Times. Os direitos da obra já foram comercializados em 17 países.

Hoje, Crumb trabalha com a mulher e a filha, Sophie, no livro Evolution of a Crazy Artist, que traça uma evolução de desenhos da jovem, de 28 anos, desde que ela tinha 2 anos. Está previsto para novembro. No Brasil, ainda neste ano, sairão pela Conrad a coletânea Meus Problemas com as Mulheres, além de reedições de Mr. Natural e Zap Comics.

Colecionador. A única informação que Crumb pediu sobre o país, segundo Flávio Moura, foi o endereço de lojas que vendam discos de 78 RPM, dos quais ele é colecionador – em entrevistas a veículos brasileiros, Crumb já disse ser fã de Pixinguinha. Moura ainda não confirma se haverá uma mesa também para Aline, que há vários anos escreve HQs com Crumb ? publicadas nos EUA pela New Yorker e no Brasil pela piauí. Também não fala sobre a participação de Gilbert Shelton.

Esta será a terceira visita ao Brasil de Shelton, que atualmente trabalha na série Not Quite Dead, sobre a banda de rock de menos sucesso no mundo. Ele também está envolvido com a produção de uma animação em stop motion de Freak Brothers, prevista para sair no ano que vem sob o título Grass Roots.

Crumb: Problemas com mulheres

E a entrevista que fiz com o Crumb no ano passado, quando ainda tava na Folha, por ocasião do lançamento do Gênesis no Brasil. Abaixo, um trecho besta de que gosto:

Folha – Já faz quase 20 anos que o sr. mudou para a França, certo?
Crumb – Faz 18 anos.

Folha – Fala algo em francês?
Crumb– Não falo nada em francês. Minha mulher fala. Não vou a cafés, fico em casa. Quero dizer, posso ir ao mercado livre e perguntar se há discos antigos: “Est-ce que vous avez des disques 78 tours?”. Isso eu posso fazer. Mas não conversar.

Folha – Como é seu dia a dia? Imagino que não leia jornais…
Crumb – Não. Ouço discos antigos e leio muitos livros. Virei um leitor voraz. Leio livros de jornalismo investigativo, que expõem meandros do sistema financeiro, da corrupção…

Folha – E os desenhos em parceria com a Aline, como funcionam?
Crumb – Depende. Trabalho as ideias dela, passamos de um para o outro. Funciona bem. Aline é uma comediante judia nata.

Folha – O sr. acha que o traço dela melhorou ao longo dos anos?
Crumb– Não… [risos]. Não ficou melhor do que era. Os desenhos dela são crus, mas são engraçados. O que você vê é tão honesto, primitivo…

Folha – Faz oito anos que os EUA sofreram os ataques de 11 de Setembro. Acredita que o país mudou?
Crumb – É complicado. Foi a primeira vez que houve um ataque daquelas proporções nos EUA, supostamente de fora. Pessoalmente, acho que o governo americano estava envolvido. Muita coisa não foi contada. Aquilo não poderia ser feito sem a ajuda de alguém de dentro. Com todos os livros que li, sabendo o que sei sobre o mundo financeiro, militar… Não duvido de que tenham feito isso, ao custo de milhares de vidas.

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2 Respostas

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Márcia Marques. Márcia Marques said: muda não! RT @raqcozer Enfim, Crumb e Shelton na Biblioteca, só pra constar, e em seguida juro que mudo de assunto http://migre.me/z82u […]

  2. […] vinda de Robert Crumb e Gilbert Shelton à Flip deste ano foi recebida com entusiasmo por muitos e por desdém por alguns, que reclamam da ausência de […]

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