No Sabático de 1/5


Texto sobre Afluentes do Rio Silencioso, a.k.a. Lowboy, de John Wray

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Dentro da mente e sob o solo

Reconhecido pela crítica e pelo público dos EUA, John Wray, de 38 anos, fala sobre Afluentes do Rio Silencioso, romance que narra a saga de um garoto esquizofrênico pelos metrôs de Nova York

Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo

Num vídeo que corre na internet, o escritor John Wray e o ator Zach Galifianakis (de Se Beber, Não Case) invertem papéis, e Wray, bancando o repórter, bombardeia o outro com perguntas repisadas como “Por onde você começou o romance?” e “Qual sua inspiração para criar a personagem Violet?”. A cena foi pensada em 2009 para divulgar o terceiro livro de Wray, Lowboy, e acabou servindo à perfeição para uma situação que o autor americano passaria a viver com frequência desde então.

Elogiado pela crítica de seu país já no romance de estreia, The Right Hand of Sleep (2001), e eleito em 2007 um dos melhores jovens romancistas americanos pela prestigiosa revista inglesa Granta, Wray alcançou o interesse de um público amplo graças a Lowboy, lançado agora por aqui como Afluentes do Rio Silencioso. A história de William Heller, garoto esquizofrênico de 16 anos que escapa da clínica psiquiátrica e empreende uma saga pelo metrô de Nova York, tinha todos os ingredientes para firmar Wray como astro literário. Com linguagem e narrativa trabalhadas nos menores detalhes, mas também pensado de forma a não obscurecer a leitura, o romance recebeu críticas carregadas de elogios de veículos como a New Yorker e o New York Review of Books, ao mesmo tempo em que evidenciou o perfil pop do autor.

Aos 38 anos, visual criteriosamente blasé e enorme talento para aparições em vídeo, Wray passaria sem dificuldade por um músico de grupo indie (chegou, inclusive, a fazer parte de bandas, “mais por amor à música que por habilidade”). Nasceu John Henderson, mas passou a usar o sobrenome com que assina seus romances por influência de King Kong, o filme de 1933 – sua argumentação para isso envolve a atriz Fay Wray e o costume adolescente de pensar no gorila gigante carregando-o sempre que tinha preguiça de levar alguma tarefa a cabo.

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A íntegra do texto está aqui. O texto do John Wray sobre as músicas que ouviu enquanto escrevia o romance, de que falo ao fim da reportagem, está aqui. E e o vídeo a que me refiro no primeiro parágrafo está abaixo.

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E a coluna Babel, a seguir. Antes, os Moomins, sobre os quais escrevo na segunda nota, na versão infantil e na versão mais adulta e nonsense que foi parar nos jornais (e cuja edição pela Drawn & Quarterly foi indicada ao Eisner em 2007)

Moomin para crianças...

...e na versão nonsense

Babel

Filme na web tenta desvendar o que é má literatura

Tem estreia prevista para agosto – na internet, mesmo – o documentário Bad Writing, que o americano Vernon Lott vem produzindo desde 2007. Lott selecionou poemas que escreveu na adolescência e entrou em contato com mais de 100 nomes do universo literário, para que analisassem seus textos e, além disso, falassem sobre seus próprios primeiros passos como escritores. “Cerca de 75% dos autores que procurei nem se dignou a responder, mas os que falaram foram receptivos à ideia de desmistificar a evolução do processo criativo”, disse o documentarista a esta coluna. Margaret Atwood, David Sedaris e outros falam sobre tropeços de início de carreira e a respeito de gente como a irlandesa Amanda McKittrick Ros (1860-1939), “amplamente considerada a pior escritora em língua inglesa”, e o americano Theodore Dreiser (1871-1945), “estimado e, ainda assim, muito ruim”, segundo Lott. Com uma hora e meia de duração, o filme terá legendas em idiomas ainda não definidos. O trailer pode ser visto em vimeo.com/10913506.

QUADRINHOS
Moomins enfim em português

A Conrad lança neste ano o primeiro livro em português da série de tiras Moomin. Criados como personagens infantis pela finlandesa Tove Jansson nos anos 40, os seres arredondados acabaram adaptados para tiras adultas. Os livros infantis foram muito populares, mas a versão nonsense serializada por jornais ficou esquecida até 2006, quando a editora Drawn & Quarterly publicou o primeiro livro de uma coleção.

AUTOFICÇÃO
Drama real reconstruído

Vencedor do prêmio de melhor ficção de 2009 do jornal Los Angeles Times, A Happy Marriage, do americano Rafael Yglesias, foi comprado pela Record. Yglesias, roteirista de filmes como Os Miseráveis, transformou a história real de seu casamento até a morte da mulher, com câncer, num “trabalho de arte e da imaginação”, segundo o jornal New York Times.

DIREITOS
Tony Judt em três obras

Prestes a publicar Reflexões Sobre um Século Esquecido, de Tony Judt, a Objetiva já adquiriu os direitos de duas outras obras: Ill Fares the Land, recém-lançado nos EUA, e um volume de ensaios que vêm sendo publicados no New York Review of Books. Num deles, Night, Judt relata como é atravessar as noites com a esclerose lateral amiotrófica, doença que o tornou paraplégico – “como uma múmia moderna, sozinho na minha prisão corporal, acompanhado somente por meus pensamentos”, escreve.

PREMIAÇÃO
Trailers de livros

A editora americana Melville House acaba de lançar o 1º Moby Awards (2010mobyawards.wordpress.com), que premiará trailers de livros em categorias como o melhor com baixo orçamento, o que traz melhor aparição do autor e o menos propenso a ajudar nas vendas. A entrega será em 20 de maio.

TRADUÇÃO
Estreia em francês

À Margem da Linha, romance escrito nos anos 80 por Paulo Rodrigues e publicado em 2001 pela Cosac Naify – o que tirou do anonimato o então assessor sindical nascido na periferia de São Paulo -, acaba de ser lançado na França pela editora Folies D”Encre, que já publicou por lá autores como Carlos Heitor Cony e Moacyr Scliar.

NO BRASIL
Presenças na Bienal e na Flip

O norueguês Jostein Gaarder, do aclamado O Mundo de Sofia – livro de 1991 que, traduzido para mais de 50 idiomas, iniciou milhões de jovens no universo da filosofia -, estará na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em agosto. Dois meses antes, a Companhia das Letras lança O Castelo dos Pirineus, de sua autoria.

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O britânico Peter Burke, especialista em Idade Moderna Europeia, dividirá mesa com o americano Robert Darnton na Flip, anunciou a organização. Maria Lucia Burke, mulher de Peter, estará em um debate sobre Gilberto Freyre. Ela ajudou o evento a organizar a homenagem ao sociólogo.

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