O fim e o começo


washington post book world

Em fevereiro do ano passado, o tablóide literário do Washington Post, o Book World, deixou de circular. Isso foi dois anos depois de o Los Angeles Times aposentar o seu caderno de livros e um ano depois do Chicago Tribune fazer o mesmo. Foi ainda sob o impacto da notícia do fim do Book World que, segundo meu editor, começaram no ano passado no Estadão as primeiras conversas sobre o que poderia ser – ou não – um suplemento voltado apenas para o universo literário e editorial.

Uma das dúvidas era: não seria remar contra a maré lançar um caderno de livros quando, do lado de lá do Equador, eles estavam se extinguindo? Dos jornalões norte-americanos, afinal, restava só o Book Review do New York Times.

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Embora eu não tenha feito parte daquelas discussões e conheça o desenrolar da história só de orelhada, sou suspeita para dizer que achei a decisão do jornal acertadíssima. Até porque o mercado editorial brasileiro não para de crescer. Parece que nem nota que o resto do mundo ainda sente efeitos da crise – você se distrai um segundo e aparece um novo selo literário (ando impressionada com a velocidade com que as pilhas de livros andam crescendo por aqui, um dia escrevo sobre isso).

Daí que ontem veio do Observer a notícia: o Wall Street Journal terá, pela primeira vez em sua história, um caderno semanal só sobre livros. Que, se não for tão gigante quanto o Sunday Book Review – mais de 20 páginas de tablóide abarrotadas de texto, com imagens pequeninas aqui e ali só para constar, uma equipe de mais de 12 pessoas -, será de um tamanho “significativo”, segundo a fonte do Observer.

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Não preciso dizer que acho ótima notícia. Em tempos de Google Reader juntando uma infinidade de informações numa página só, não há oferta de leitura sobre livros que não seja bem-vinda. Tudo bem que não raro seja preciso esquecer a mágoa de não conseguir ler tanta notícia, marcar todos os feeds como lidos e começar outra vez…

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10 Respostas

  1. Raquel,
    Só agora chego aqui. Que boa notícia ler seus textos – além dos que saem no jornal. Sou leitor assíduo do Sabático. Bom saber que o Estadão corre contra a maré em relação à cultura. O Sabático foi a melhor notícia do ano! Acho que os jornais de qualidade conseguirão sobreviver a essas transformações. Torço para o Estadão ser persistente, mesmo com menos leitores, mas leitores fiéis e que valorizam um bom texto. Parabéns!

  2. Raquel,

    Parabéns pelo texto, e também por fazer parte da pequena mas valorosíssima barricada que se ergue para defender os livros e todo o mundo criado por suas letras cheias de heterogeneidade e fantasia.

    Ponto para você e para o Estadão, um belíssimo jornal, que com todas as transformações pelas quais está passando, consegue surpreender positivamente ao seu público cativo (e em processo de cativação)!

    Por fim: ponto para o Wall Street. Wise step.

    Um abraço.

    Piero

  3. Oi, descobri somente agora seu blog.
    Eu, que amo a literatura, antes não o conhecia. Parabéns! E é bom saber que teremos mais um caderno.

    Ah, aproveite e visite o meu próprio blog: http://naconchinchina.blogspot.com/
    É de poesias, creio que você irá gostar.

    Abraços,

    Victor

  4. Massa a iniciativa. Tomara que isso signifique um ponto de virada no jornalismo e incentive os outros a retomarem seus cadernos bibliófilos.

  5. Taí algo que nunca será excesso. As pessoas leem, e quem realmente tem paixão – ou uma afeição mínima que seja – pela leitura vai estar sempre ávido por informação, por mais e mais notícias e análises sobre um universo tão amplo quanto o mercado editorial. Ganha o público! 🙂

  6. Olá Raquel!
    Não há nada de mal no fato de o Brasil tomar seu próprio rumo, não é? Não precisamos ser igual aos outros. Um caderno de literatura sempre terá leitores, creio. E sabe o que descobri nos últimos anos? (Não, não errei. É anos mesmo) Que não foi só o número de leitores que aumentou no Brasil – e não pára de crescer, como você observou – mas a quantidade de escritores, também. E as grandes editoras brasileiras parece que não se adaptaram ainda a esse já tardio Boom.
    Muito sucesso neste seu Blog que já é uma de minhas leituras diárias.
    Ederson Marcondes

    • Oi, Ederson, tudo joia? Sobre a quantidade de escritores, acho sim que ficou mais fácil publicar nos últimos anos. Mas isso também dá margem a um outro problema: autores publicados e não lidos. Está na minha lista de “um dia escrevo sobre”. Beijo, e obrigada pela visita! =)

  7. […] Wall Street Journal anunciou que passará a produzir um caderno literário semanal, e tanto a Raquel Cozer, do Sabático, quanto o Sérgio Rodrigues, do Todoprosa, comentaram essa boa […]

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