Having fun


http://www.flickr.com/photos/evanmischelle/

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A Dani Arrais foi quem viu a imagem acima e disse que achou a cara do blog. Não sabe o quanto mandou de nostalgia junto. “Se divertir não é difícil quando você tem um cartão de biblioteca”, diz a mensagem, que perde boa parte do impacto em português. É que diversão, pra menina petropolitana míope e tímida que eu era na infância, vivia relacionada com as pequenas felicidades garantidas pelo cartão da biblioteca.

Tinha guardado na minha cabeça que a que eu frequentava em Petrópolis se chamava Biblioteca Alceu Amoroso Lima, como a de Pinheiros, aqui em São Paulo, não me perguntem por quê. Perdi bem uns minutos na internet até encontrar no Google Maps a praça em que ela fica, a Visconde de Mauá, e daí chegar ao nome certo: Centro de Cultura Raul de Leoni.

Memória nunca foi o meu forte.

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Encontrei em toda a rede apenas duas fotos solitárias do lugar. O resto, a parte de dentro, tentei recriar na cabeça, e enquanto isso fiquei pensando o que será que fizeram com as fichas antigas, dos meus tempos. Será que têm ainda todos os dados guardados por pura falta de alguém para mexer nos arquivos ou já digitalizaram tudo e jogaram fora a minha foto em preto e branco, de franjinha torta, dente encavalado e óculos de gatinha? (Ai.)

E de repente imaginei que não seria mal conhecer a cronologia das minhas leituras. Se os primeiros livros registrados com o número do meu cartão foram mesmo, conforme dita a lembrança, todos os da coleção do Monteiro Lobato, na sequência (“todos” é mentira. Naquela coleção de velhas páginas amarelas e capa verde dura, faltava o primeiro volume dos Os Doze Trabalhos de Hércules, única lacuna, que nunca preenchi). Ou se os Monteiros Lobatos vieram depois dos Pedros Bandeiras e dos Para Gostar de Ler. Ou se intercalava tudo com os Marcos Rey e com os Enrola e Desenrola, concorridíssimos também.

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Mas lembro que, muitos anos depois, alguns antes do vestibular – o cartão já esquecido por causa da bela concorrência da biblioteca adulta do meu pai -, implantamos ali nosso novo conceito de diversão. Era nos jardins bem em frente que, quando caía o sol, Jaque, Gi e eu, lá com nossos 15, 16 anos, parávamos para papear longe dos meninos. Sobre eles, naturalmente. E tomando cerveja em latinha, segredo bobo que não registrávamos em papel nenhum.

(A linda imagem lá no alto, que deu origem a este post, é da M I S C H E L L E).

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11 Respostas

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Raquel Cozer, Livro para Voar. Livro para Voar said: Os livros que lemos quando criança e as bibliotecas que abrigavam nossos sonhos: http://ow.ly/3lPge (via @raqcozer) […]

  2. Seu texto me comoveu. Pelo seu lindo depoimento e por que lembrei de mim mesma, que até cabulava aula pra ficar em alguma biblioteca lendo. Não tenho o dom da escrita como vc, só o da leitura. Parabéns !

  3. da hora

  4. Nasci e vivo em Petrópolis. Durante a minha pré-adolescência frequentava a biblioteca e devorava livros sobre ufologia e dinossauros. Por estranha coincidência, quando me associei, pouco antes de ser transferido da escola do meu bairro para o Liceu Municipal, o primeiro livro que peguei emprestado foi o tomo I de “Os Doze Trabalhos de Hércules” de Monteiro Lobato. Duas semanas depois eu já estava atrás do segundo tomo. Não parei mais de ler livros depois que descobri que podia ter acesso ao que quisesse naquela biblioteca.
    Eu vivia com a cabeça nas nuvens.
    Acho que vivo assim até hoje… Um apaixonado pela leitura.

    Parabéns!!!

  5. Se não me engano, na enchente de 1988 o primeiro piso do Centro de Cultura foi inundado pelas aguas do rio que transbordou, atingindo parte do acervo de livros e documentos da biblioteca que ficavam ali.

  6. Como peguei diversos livros emprestados no decorrer dos anos seguintes, com certeza entreguei aquele tomo. rsrs.

  7. Raq, esse post tá muito legal, lembrei da biblioteca que eu ia na época do Ensino Fundamental, como podia pegar dois livros por vez, eu sempre escolhia um pra mim outro pra minha irmã. Ela diz que foi assim que começou a gostar de ler. Porém, o que mais me alegrou no post, foi o óculos de gatinha! Eu também tinha, era pink, aff! nunca pensei que em encontrar alguém que compartilhasse essa mesma lembrança, inclusive, lembrando o modelo. kkkkkk

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