Não tente fazer isso no seu Kindle


Como não tenho coragem de grifar livros nem a lápis, peguei essa mania de dobrar pontinhas de páginas quando algum parágrafo me chama a atenção. Só a beiradinha mesmo, coisa discreta, com dó no coração, para não estragar. A regra é meio aleatória: se o parágrafo ficar mais pra cima da página, dobro a ponta de cima; se ficar mais perto do pé, a de baixo; se ficar no meio… bem, sei lá. Não raro, ao terminar o livro nunca mais consigo descobrir por que exatamente dobrei aquela ponta, mas daí fico com pena de desmarcar e não ter a chance de saber que em algum momento um parágrafo foi importante para mim.

Assim sendo, minhas estantes estão cheios de livros com essas dobrinhas espalhadas pelas beiradas. Lembrei disso quando a Dani Arrais, nessa generosidade de quem garimpa tanta coisa incrível que pode se dar ao luxo de doar links a blogs-amigos, me mandou esses origamis em livros do Recyclart.

Vou ver se nas próximas leituras encontro mais trechos interessantes para tentar um desses.

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20 Respostas

  1. […] This post was mentioned on Twitter by daniela arrais, Raquel Cozer, Renata Freitas, Letícia Ribeiro and others. Letícia Ribeiro said: RT @reab Kindle, cadê seu deus agora? http://migre.me/3HGlz (via @daniarrais) […]

  2. Olá! rsss, também faço isso. Exatamente assim, vou dobrando as páginas que mais gosto ou que achei especial, na mesma aleatoriedade (ponta de cima, ponta de baixo… se se estiver no meio, bem…)acho legal isso, não consigo grifar, dobrar é menos definitivo, acho. Além disso, acho legal pensar que um dia encontrarei o livro e não me lembrarei mais por que dobrei aquilo e terei que reler e relembrar o porque que aquilo me foi especial. 🙂
    Mas, tem pessoas que ficam horrorisadas… Tem uma história engreçada, um dia emprestei meu livro ‘Cem Sonetos de Amor’, do Pablo Neruda pro meu irmão usar em uma aula de espanhol e ele deixou com a professora, até aí tudo bem, eu a conhecia de vista, de conversas no corredor sobre literatura. E é claro que o livro tava cheio de dobrinhas, são cem sonetos, tem uns lindos e pessoalmente especias. Pois bem, quando ele me devolveu disse: ah, ela adorou e agradeceu, mas disse que o livro tava todinho dobrado e ela fez o favor de deixar certinho de novo! Rssssss, quase morri de dor no coração! Esse é o preço…

  3. E eu que nem dobrinhas consigo fazer, no começo achava que ia conseguir guardar na cabeça os trechos marcantes dos livros que lia … Não demorei muito para desistir disso e começei a colocar tirinhas de papel para marcar as páginas, assim dá para fazer uma pequena anotação indicando porque a tira está ali.
    Blog A Leitora http://aleitora.blog.com

  4. Raquel,

    Hilário seu método! Vou radicalizar aqui: grifo todos os livros lidos, anoto nas laterais, o elenco de personagens no final. Se houver espaço ainda faço uma sinopse da história. Meus livros são, diria, orgânicos. Quando termino a leitura eles ficam meio surrados, prontos para ir para os sebos – o que raramente acontece.

    Mas tenho pena de dobrar as páginas… engraçado.
    Mas gostei da prática. Talvez eu incorpore também esse método.

    • Gente, Wellington, que dó dos seus livros! rs. Sabe que dia desses chegou aqui o exemplar de uma grande estudiosa de literatura (pedimos para escanear fotos) mais ou menos nesse estado aí? Achei engraçado, vindo de alguém que ama os livros. Mas, pensando bem, é uma outra forma de amor, né. Mais visceral, talvez, rs.

  5. Também passo a caneta e faço anotações, notas de rodapé e até prefácios e posfácios nos meus livros. São meus e ponto final! Mas confesso que só dessacralizei o objeto depois de algum tempinho de análise, antes punha papeizinhos também…

  6. Raquel,

    Respeito sua prática e faço o oposto. Rabisco os meus livros sem piedade. Caneta, lápis e pilot, muito e com força. Sei que li um livro e pensei sobre ele quanto mais marcas eu deixo. Fiz um curso de memorização no colégio, já vão vinte anos, e a professora falava que sublinhar é criar memória, desde então eu não tenho pena. Só que odeio dobrar as pontas das páginas, odeio! Freud explica.

    Daniel

  7. he, he, minhas dobraduras são bem menos artísticas, ainda menos detalhistas que as tuas ,mas de igual nível de utilidade.Já consegui alguma encrenca assim, o marido se recusou a ler um livro todo marcado por mim. Não faço marcas, mas adoro pegar um livro marcado, é uma conversa extra.

  8. Interessante a idéia do Clélio: fazer prefácio e posfácio! Muito bom isso.

    Sempre uso lápis nas anotações que faço nos meus livros. Raquel, se você tem dó dos meus livros (rss), saiba que muitos deles são literalmente “quebrados” (rss), para ficarem abertos na mesa e não oferecerem nenhuma resistência em ficarem abertos. Já notou como os nossos livros são duros, parece que foram feitos para ficarem fechados? Pegue uma edição da editora francesa Folio e note a diferença. Os livros “derretem” na nossa mão. Dá até para ler (segurar o livro com uma mão) e tomar um chá ao mesmo tempo.

  9. Obrigado por esta partilha maravilhosa. Acho que seus artigos muito interessantes. Bravo!

  10. muito interessante! Confio-vos para este blog maravilhoso!

  11. Na discussão, morna atualmente, a respeito do que é melhor, o livro impresso ou o kindle, ponto para o papel. O prazer mesmo não está simplesmente em ler um romance. Começa com um passeio pela livraria, um passeio às cegas, quando poderemos encontrar outros amantes das letras e inciarmos um papo gostoso, ou encontrar aquela obra que um dia tivemos o desejo de ler, mas que passou batida. Em seguida, ao voltarmos para casa, iniciamos o ritual de desembrulhar o bem adquirido e folheá-lo aleatoriamente para sentir os eflúvios das emoções que hão de advir. Então sentamo-nos na poltrona – ou deitamos na cama, no chão, na mesa – e mergulhamos na leitura. Depois das carícias, o coito. As pequenas dobras a que você se refere, Raquel, nada mais são que inofensivos arranhões provocados pelo êxtase.

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