A coluna Babel de 26/2


[Publicada no Sabático]
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BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br – O Estado de S.Paulo

REFORMULAÇÃO
Paz e Terra estreia projeto editorial em março
Foram seis meses de reformulações, período em que a Paz e Terra quase não teve novidades nas livrarias. A escassez chega ao fim no mês que vem, quando a editora mostra ao público sua nova fase. “Éramos uma editora universitária sem reitor, só tínhamos teses”, diz o dono, Marcus Gasparian. Contratada como diretora editorial após 12 anos na Nova Fronteira, Izabel Aleixo trabalhou na criação de um selo de ficção, na entrada na área infantil e na reorganização das marcas Paz e Terra (focada em ciências sociais) e Graal (psicologia e exatas). A meta será lançar um título por segmento a cada mês. Best-seller da editora, Paulo Freire terá a obra toda reeditada, com quatro volumes já em março. Entre os infantis, sairão traduções de títulos premiados, e, na ficção, romances como O Que o Dia Deve à Noite, de Yasmina Khadra. Falta concluir uma etapa difícil: a análise dos 1.200 títulos da editora para saber o fica em cada selo e o que sai de catálogo – destino provável de obras datadas como Golpe de Estado: Um Manual Prático, de Edward Luttwak.

CADASTRO
ISBN via internet

A partir de terça, dia 1.º, ficará mais fácil o contato entre editoras e a Agência Nacional do ISBN (International Standard Book Number). A Fundação Biblioteca Nacional, agência do ISBN no Brasil, estreará um site para realizar esse atendimento. Ainda neste semestre, poderão ser feitos também pela internet cadastros de empresas e de obras, algo hoje possível apenas pelos correios.

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Atualmente, quase 60 mil empresas físicas (autores que lançam obras independentes) e jurídicas estão registradas na FBN, com média de 180 novos cadastros por mês.

GRAPHIC NOVEL
Clássico indie… e inédito

Uma das principais HQs independentes dos EUA nos anos 90, Ghost World (imagem), de Daniel Clowes, ganha enfim tradução no Brasil. Sai como Mundo Fantasma em abril, pela Gal Editora. A história de duas garotas que passam os dias criticando tudo e todos foi eleita uma das dez melhores graphic novels de todos os tempos pela Time e ganhou versão no cinema – em filme homônimo de 2001, que tornou Scarlett Johansson conhecida -, mas seguia inédita por aqui.

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O livro saiu em Portugal em 2001 pela Devir, que não o lançou no Brasil. Maurício Muniz, editor da Gal, procurou a Fantagraphics Books para entender a razão. Descobriu que a obra foi licenciada há 11 anos no País por uma casa chamada Contato – que desapareceu – e, então, garantiu os direitos.

TRADUÇÃO
O resgate de Levrero

O uruguaio Mario Levrero (1940-2004), pouco conhecido fora de seu país, teve a obra resgatada nos últimos tempos em países como Argentina e Espanha, onde a Random House Mondadori relançou seus livros. Chegou a vez do Brasil. A Rocco adquiriu três de seus títulos de narrativas curtas: Deixem Todos em Minhas Mãos, Novela Luminosa e A Cidade (o primeiro da Trilogia Involuntária). Este último sai no segundo semestre, com tradução de Joca Reiners Terron.

ANTOLOGIA
Registros íntimos

O prolífico antologista Flávio Moreira da Costa está perto de concluir sua primeira “antologia da vida real”, trabalho que lhe consumiu cinco anos. Trata-se de Intimidades Célebres: O Livro dos Diários, seleção de registros íntimos de grandes nomes. Entre os textos, há relato de H.L. Mencken sobre seus encontros com Al Capone e com Scott Fitzgerald em fase quase terminal de alcoolismo, e de Kierkegaard sobre seu método de sedução antes de abandonar as moças.

HISTÓRIA
Testamento de guerra

Uma análise da atuação francesa na 2.ª Guerra, A Derrota Estranha, do consagrado historiador Marc Bloch, sai em abril pela Zahar. Trata-se de um olhar próximo dos acontecimentos: Bloch morreu em 1944, torturado por nazistas, e o livro foi publicado apenas dois anos depois. Além de descrever o caos do front e as responsabilidades do país derrotado, a obra inclui uma espécie de “testamento” escrito em 1941 e um poema em que o autor satiriza o Exército francês.

LIVRARIA
Jeitinho inglês

Versão literária do “quero ter um milhão de amigos e que cada um deles me dê um real”: a livraria independente Big Green, na Inglaterra, enviou uma newsletter aos seus mil mais fiéis compradores pedindo a cada um deles que compre um livro para garantir a sobrevivência da loja. Em tempos de Borders pedindo concordata, é uma saída.

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Uma resposta

  1. […] E mal o sábado chega, a notícia já estava no site do Estadão, na coluna da Raquel Cozer: […]

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