A vez das pequenas editoras


Será que a vida vai ficar mais fácil para as editoras independentes em 2011?

Quem acompanha o mercado sabe que, de uns anos para cá, não param de surgir pequenas casas que capricham nas aquisições e edições, como a carioca Tinta Negra e a gaúcha Não Editora, para ficar em dois exemplos que me ocorreram agora (ok, vocês podem dar outros exemplos aí nos comentários).

Duas notas que publiquei recentemente na Babel mostram que o caminho para essas empresas lançarem e divulgarem títulos está ficando mais simples. A primeira, de janeiro, foi sobre a preparação de uma plataforma online para catálogo de editoras, a Dilve, que permitirá a consulta completa de dados sobre qualquer livro publicado no País e mais visibilidade para os acervos das pequenas editoras. A Câmara Brasileira do Livro e a Associação Nacional do Livro assinaram um acordo no último dia 24 com a espanhola Federación de Gremios de Editores de España para levar essa tarefa adiante.

A outra história, publicada no sábado passado, diz respeito ao novo site do ISBN no Brasil, que entrou no ar hoje. Por enquanto, é só uma adaptação das informações que até então ficavam dentro do site da Fundação Biblioteca Nacional (agência da ISBN no Brasil). Mas a ideia é que, ainda neste semestre, o site evolua a ponto de receber cadastros de editoras e obras. Até o momento, o cadastro no ISBN só é possível pelos correios, o que é sempre um trabalho a mais para quem tem estrutura muito pequena.

Quando fiz, em janeiro, uma matéria sobre o projeto do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB) de obrigar livrarias a colocarem à venda todos os títulos recebidos (uma história muito louca que continua correndo na Câmara, segundo post recente do Livros, Livrarias e Livreiros), aproveitei para conversar com pequenos editores sobre se era difícil emplacar lançamentos nas lojas. A resposta da maioria foi que, com uma boa edição e uma boa conversa, consegue-se tudo – embora livreiros assumam que é natural dar mais atenção a editoras que têm mais títulos a oferecer, já que se trata de um negócio.

Por outro lado, dia desses ouvi a história de um livreiro que, cansado de receber  vários livros a cada mês de uma grande editora, estipulou que até poderia expor os novos títulos na livraria, mas que estes entrariam no lugar dos lançamentos entregues pela mesma editora no mês anterior. Se for verdade, é engraçado: de tanto publicar, a casa vira concorrente dela própria.

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13 Respostas

  1. Oi Rachel. Eu acho que é mais difícil para ou Autor do que para a editora em questão.
    Exemplo: publiquei três trabalhos por três editoras diferentes o ano passado: A Coletânea de tiras Hector & Afonso – Os Passarinhos, pela Balão Editorial; A Corrente, um thriller pela Editora Draco e; Pequenos Heróis, uma antologia de quadrinhos pela Devir Livraria.
    Os três trabalhos tem dificuldades de chegar às grandes livrarias, mesmo sendo a Balão e a Draco pequenas editoras e a Devir uma média, com um número de títulos superior a algumas grandes do mercado.

    O problema é que a Livraria precisa lucrar e investe no que é certo, os livros com um belo selo vermelho de “Um milhão de livros vendidos no mundo” ou “1º na lista da Times”.
    Os livros das pequenas editoras, quando expostos, estão nos sites das livrarias, que muitas vezes apresentam um sistema de busca ineficaz. Você procura o livro de duas ou três formas diferentes para achá-lo.

    Como já acontecem em feiras de quadrinhos, deveria ter um “espaço do autor” ou um “pequenas tiragens” em lojas específicas das redes onde a pessoa possa achar os trabalhos.

    Um abraço

  2. Parabéns pela matéria. gostaríamos de lembrar o nome da nossa editora (BERNÚNCIA EDITORA) que saiu, milagrosamente, na Folha com um de nossos últimos títulos, 28 DESAFORISMOS DE FRANZ KAFKA, traduzido direto do alemão pelos escritor catarinense Silveira de Souza. Estamos atentos.

    um abraço

    vinícius alves / editor

  3. Sobre o projeto do Bonifácio, eu acho triste o Estado querer impor algo assim. Eu queria que uma solução viesse da CBL ou da Sociedade dos Livreiros do Brasil.
    Por exemplo: eu sou a favor, a curto prazo, de cotas sociais em faculdades, uma equiparação de forças num caso desses é bem vindo, mas iniciativas assim se expandem para outros campos de forma distorcida.
    Eu aplaudiria de pé se a Saraiva analisasse pedidos e destinasse uma parte de sua vitrine aos independentes por iniciativa própria, não por causa de uma lei.
    Quem ganha dinheiro com cultura deveria enxergar além dos negócios e destinar um pouco para a difusão da mesma. Não peço para virarem Madres Terezas, mas que sejam gratos de estar num pais que cada dia lê mais.

  4. Raquel,

    Este problema de dificuldade para conseguir colocar o trabalho na livraria acontece nas lojas virtuais também?

    Imagino que nos sites o maior problema seja conseguir visibilidade para seus livros…

    • Então, nas virtuais qualquer livro entra para venda. O problema daí é conseguir um espaço na “vitrine”, destaque na home, essas coisas. Em livrarias, aquelas ilhas de livros às vezes são “alugadas”, digamos assim; isso foi tema de uma matéria da Folha em 2005 ou 2006. Não sei como isso funciona nas livrarias virtuais, mas é um caso a se investigar =)

  5. Oi Raquel, bom dia.

    Sobre o projeto do Bonifácio, acho que os políticos tinham que se focar em assuntos muito mais importantes pra nação do que isso.

    Trabalho há 10 anos no mercado livreiro, Livraria Cultura, Saraiva, Fnac, Ed.Gente e hoje estou na Livraria Quixote BH e o problema é sempre o mesmo, o espaço para abrigar tantos lançamentos.

    O que pode ser feito para minimizar a falta de espaço é instituir uma cota com o representante da editora.
    Ex:
    1) lançamentos A -> 5 ex de cada
    2) Lançamentos B e C -> 3 ou 2 ex de cada

    Isso depende muito do público que a editora atende, aqui na Quixote, o público é focado em Filosofia, Ciências Sociais, quase não se vende Best Sellers. Logo a cota é totalmente diferenciada de uma grande rede ou de uma livraria que atenda um público mais variado.

    Estamos abrindo nossa loja virtual, e vamos trabalhar com as editoras pequenas que não tem visibilidade no mercado dos mega-sites.

    E existe outra saída para as pequenas editoras que a contratação de um divulgador, trabalhando nas livrarias para aos poucos conquistar espaço dentro da livraria, ministrando treinamento com os funcionários para que eles possam ter um conhecimento maior sobre os títulos (geralmente diferenciados), e fortalecer a relação livreiro-editora no mercado.

    Mas isso demanda tempo e paciência, já que hoje essa relação é um tanto desequilibrada.

    Tenho um projeto sobre isso aqui em BH com 2 editoras pequenas, a Cobogó e a Duo, e espero que até o fim do ano possamos colher os frutos desse projeto.

  6. Raquel,

    Chega a ser engraçado sim, as grandes editoras viram suas próprias concorrentes mesmo. Trabalho na Cia do Livro (livrarias no interior do Rio) e fico maluca com a quantidade de lançamentos, tem semanas que coloco o livro na vitrine segunda e na quarta me pego tirando porque já chegou outro da mesma editora, mesmo autor e por ai vai.

    Por enquanto vejo como solução: as livrarias terem um controle melhor da consignação, e isso inclui conhecer melhor o produto e seus clientes, ou seja, ter bons vendedores e não aquele que está ali só pra organizar estante, dar bom dia e indicar os 10 mais 🙂

    A verdade é que não adianta ter todos os títulos e não saber pra quem vender.

    E sobre as editoras pequenas… em Juiz de Fora/MG, cidade vizinha, tem a Editora Franco que está fazendo um ótimo trabalho na região, só aqui em Três Rios ela conseguiu entrar em três grandes escolas particulares na lista dos livros paradidáticos de 2011.

    Abraço, Sabrina.

    • Oi, Sabrina! Sabe que fico cada vez mais pasma com a quantidade de lançamentos que recebo aqui? Isso porque é só material que eles mandam pra divulgação, fico imaginando que para venda eles mandem muito mais! E vou atrás dessa dica de editora que você deu, gracias! Beijo, Raquel

  7. Olá Raquel,
    Tem a Letra Selvagem, do Vale do Paraíba no Estado de São Paulo, e a Ar do Tempo, de Porto Alegre.
    Abs.

  8. Olá, Raquel
    Aproveito para apresentar uma pequena editora aqui do Rio de Janeiro a Apicuri. A Apicuri surgiu do desejo, quase necessidade, de se divulgar uma produção academica de qualidade que consome tempo, dinheiro, dedicação, carinho e que infelizmente não sai da Universidade. Nestes tres anos que a editora existe muitos autores tiveram a alegria de ver seu primeiro livro publicado, lançado, divulgado e posto à venda nas principais livrarias do país. Não tem como negar que é realmente dificil colocar os nossos livros a venda nas livrarias e mais ainda fazer com que eles sejam, expostos, mas temos conseguido.
    No ano passado, disponibilizamos alguns títulos na Amazon e as vendas tem sido legais.
    Bjs para todos e mt legal a matéria!

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