A coluna Babel de 19/3


A uma semana das férias – taí, aqui no blog ainda não falei sobre isso, apesar de atormentar todo mundo no Twitter e no Facebook – me deu vontade de fazer um comentário.

Coisa mais difícil numa coluna semanal de jornal impresso é garantir que as notas tenham como gancho informações que não tenham caído na internet antes da publicação. Ao contrário do que muita gente ainda pensa, não dá para minimizar o impacto da rede, principalmente entre o público que lê jornal impresso, que na teoria é gente com mais acesso à internet.

A parte mais trabalhosa é ir eliminando boas notas que já saíram aqui e ali, e ainda imaginar que essa investigação deve deixar às vezes passar informações publicadas antes, mas não localizadas.

É claro que as fontes mais queridas já sabem que, se caiu na internet, não entra na Babel. Boas notícias já conhecidas de internautas continuam sendo notícia no jornal, é óbvio, mas não para uma coluna que se propõe só notas de exclusivas. Nem que o exclusivo seja um detalhe de algo já comentado. Caso, na coluna abaixo, das notas sobre o Marçal Aquino (a maior curiosidade é o que ele faz após entregar o novo livro) e sobre a aquisição da Dora pela Zarabatana (que é a novidade, embora o mais legal, a chegada da Fierro ao Brasil, já seja conhecido de fãs de HQs, essa gente mais bem informada que você pode imaginar).

Digo tudo isso porque, depois de ver duas boas notas irem água abaixo por repercutirem entre internautas antes (e uma terceira por uma confirmação que não veio a tempo), fiquei especialmente feliz com o texto de abertura desta semana, uma ideia simples, porém interessante, que apareceu aos 45 do segundo tempo.

Idiossincrasias de colunista, vai entender 😉

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[Publicada no Sabático]

BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br –  O Estado de S.Paulo

ARTES GRÁFICAS
Como eram as guardas dos livros


Neta de José Mindlin (1914-2010), envolvida na digitalização do acervo do bibliófilo, a fotógrafa Lucia Loeb prepara desde o ano passado um livro todo composto por reproduções de guardas – aquelas páginas duplas, coloridas ou não, que colam a capa ao miolo e antecedem as páginas impressas. As guardas surgiram para proteger o corpo do livro da cola usada na capa, como explica em prefácio a encadernadora Thereza Brandão Teixeira, e adquiriram na Idade Média função de ornamentação. Lucia escolheu pela beleza centenas de modelos encontrados no acervo do avô, em edições como a primeira de Os Sertões (1902) e a francesa de 1876 de Os Lusíadas. Com o título Páginas de Cortesia e a própria capa feita com estampa de guarda, o volume deve sair pela Editora do Bispo, sem data definida, com CD de imagens para quem quiser utilizar as texturas. “Por enquanto, está com 140 páginas, mas ainda estou trabalhando no material. Talvez diminua para viabilizar a publicação”, diz Lucia.

JUVENIL
A estreia do Tordesilhas

Prestes a estrear no mercado, o selo Tordesilhas garantiu um título que tem dado o que falar na Alemanha, onde já vendeu 100 mil cópias. Trata-se do juvenil Tschick, sobre dois garotos que atravessam o país num carro roubado. Segundo a crítica alemã, a saga é impactante como a história do autor, Wolfgang Herrndorf. Aos 45 anos, o escritor vem narrando em seu blog (Arbeit und Struktur, em alemão) os dias que lhe restam desde a descoberta de um câncer no cérebro.

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O Tordesilhas será lançado no dia 26 de abril, em megaevento com direito a peças musicais árabes e cerca de 200 convidados na recém-restaurada Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo.

QUADRINHOS
Made in Argentina

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A Zarabatana prepara para outubro a publicação de Dora (imagem), história de uma garota que busca criminosos de guerra nazistas na Argentina dos anos 60, escrita e ilustrada pelo inovador Ignacio Minaverry. O título será o segundo da Coleção Fierro, que estreia mês que vem com Noturno, de Salvador Sanz.

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Junto com a Coleção Fierro, de histórias longas, a cada seis meses a editora publicará histórias curtas na Fierro Brasil, versão nacional da famosa revista em quadrinhos argentina. A primeira edição desta terá nomes como Danilo Beyruth e Fábio Zimbres.

CIÊNCIA
A alucinação segundo Sacks

Oliver Sacks quer saber o que as alucinações – das distorções mais comuns, como as formas que vemos após esfregar os olhos, às visões decorrentes de drogas ou doenças cerebrais – dizem sobre nosso cérebro. Depois de O Olhar da Mente, o neurologista começou a escrever Hallucinations, que já teve os direitos garantidos pela Companhia das Letras.

LIVRARIAS
Feiras vs. lojas

Uma percepção da Associação Nacional de Livrarias (ANL) que não entrou em levantamento anual divulgado esta semana: o aumento do número de feiras de livros universitárias com descontos “predatórios” (acima de 50%), o que prejudica “acintosamente” os livreiros, segundo Vitor Tavares, tesoureiro da ANL.

CINEMA-1
Conversas com Scorsese

Recém-lançado nos EUA, Conversations with Scorsese, com entrevistas feitas pelo célebre crítico e documentarista Richard Schickel, sai em outubro pela Cosac Naify, que já publicou nesse formato o Conversas com Woody Allen. O livro sobre Woody saiu no fim de 2008 e é um dos grandes sucessos da editora. Está na quarta edição, com mais de 15 mil cópias vendidas.

CINEMA-2
Só mesmo no Brasil

Agosto é o mês limite para Marçal Aquino entregar à Companhia das Letras os originais da novela Como se o Mundo Fosse um Bom Lugar, passada em São Paulo – cenário que o autor retratou pela última vez em O Invasor, romance de 1997 que abre na próxima semana o selo Má Companhia. Logo depois, Marçal inicia, a quatro mãos, o roteiro de um filme que planeja há 15 anos, “um policial que só poderia acontecer no Brasil”.

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Update às 19h40: Tinha esquecido de linkar aqui a participação do Marçal Aquino no Leituras Sabáticas, série mensal do Sabático no portal do Estadão, da qual já participaram os escritores Lygia Fagundes Telles, Milton Hatoum e Manoela Sawitski.


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Uma resposta

  1. […] foi Marçal Aquino, com quem falei duas semanas atrás por conta do Leituras Sabáticas e de uma nota que saiu na Babel. “Essa coincidência sempre me estarreceu”, disse ele, por e-mail. “Cheguei a dar […]

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