"Conforme tudo o que sabia, o Brasil era um país de merda"


Olha que coincidência. Dias atrás, escritor e jornalista Vitor Diel contou em seu blog, o Bumerangue, que tinha adiado por meses a ideia de postar o trecho a seguir do romance Partículas Elementares (1998), de Michel Houellebecq, porque não queria ferir suscetibilidades de internautas que não conhecessem a obra para contextualizar. Acabou postando no dia 11, uma semana antes de o francês ser anunciado para a Flip.

“Começava a encher o saco dessa estúpida mania pró-Brasil. Por que o Brasil? Conforme tudo o que sabia, o Brasil era um país de merda, povoado por brutos fanáticos por futebol e corridas de automóvel. A violência, a corrupção e a miséria estavam no seu apogeu. Se havia um país detestável, era justamente, e especificamente, o Brasil. Eu poderia ir ao Brasil, em férias. Passearia nas favelas, num microônibus blindado; observaria os pequenos assassinos de oito anos, que sonham em se tornar chefes de bando aos 13 anos; não sentiria medo, protegido pela blindagem; à tarde, iria à praia, entre riquíssimos traficantes de droga e de proxenetas; no meio dessa vida desenfreada, dessa urgência, esqueceria a melancolia do homem ocidental.”

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11 Respostas

  1. Ele está certo. Infelizmente.

  2. Não li o livro, então não saberia contextualizar… mas me entristece ver que muitos brasileiros compartilham do mesmo entender, isso tudo porque se trata de uma mera citação.
    Que a prostituição, o tráfico de drogas, favelas e o descaso com a infância e juventude são questões pontuais a serem trabalhadas é inquestionável, mas o Brasil e o povo brasileiro não se resume a isso, portanto ele nunca será um “país detestável” para mim e eu não firmo meu patriotismo em discursos e visitas de figuras internacionais.

  3. Oi Raquel! Obrigado!
    Aproveito para parabenizá-la pelo blog…ele é demais. Todo dia eu acesso.
    Abraço!!

  4. Não conheço o livro mas pelo modo como o Houelebeck inicia seu discurso, ele vai acabar descobrindo que o Brasil é muito melhor do que havia imaginado. De todo modo, toda indignação “nacionalista” a respeito desse tipo de crítica é tola, não passando de coisa de “torcida”. Será que as pessoas não cansam de ser sempre iguais, danadas de previsíveis? Quero ler o livro primeiro — com Flip ou sem Flip, porque não sou editor nem festeiro — para então ver de que se trata. Em casa, na minha poltrona predileta, de chinelos e tomando meu chá verde.

  5. Qualquer ser humano deve ser respeitado,quiçá uma nação. O Brasil e nenhum país é de merda! Nunca negamos nossos problemas, mas também somos um país de pessoas honestas, trabalhadoras, que “apanha”, mas sabe levantar e dar a volta por cima, somos solidários, felizes! Viva o Brasil, sim!!!!!!!!!

  6. Apresenta ele pro Ruben Fonseca, talvez tenham um caso de amor!! rssssssssssssssss

  7. ehehe melhor comentário este último.

    Eu concordo com o personagem do livro e fico muito indignado com estas coisas. O brasileiro tem mania de ficar se auto consolando dizendo que somos um pais de pessoas trabalhadoras. Não sei se falamos no mesmo país mas pelo que vejo as pessoas, jornais e etc é que somos o pais dos vagabundos, que querem ganhar acima de tudo, usar o jeitinho pra resolver as coisas, a terra do engarrafamento, do tráfico, dos politicos altamente corruptos e onde o presidente diz que não sabia de nada e o povo engole. Engole também o presidente fazendo aliança com inimigos e corruptos do calibre de Sarney e mesmo assim tem aprovação de mais da metade da população.

    Isto me lembra muito aquela matéria que um americano falando que o Lula bebia cachaça e tal e o nosso ex-presidente queria impedir a entrada do jornalista aqui no Brasil-sil-sil como se o cara estivesse inventando alguma mentira.

    Raquel, desculpe o comentário mas é isto que penso e as coisas so vão realmente melhorar quando os brasileiros se conscientizarem e pararem de ficar dando desculpas e realmente fazer o país ser uma coisa decente.

    • Oi, Arlen! Não tem nada que pedir desculpas, o espaço tá aqui pra todo mundo falar, mesmo! Só discordo da parte do jornalista: a reação do Lula foi bem equivocada, sim, mas o cara errou a mão ali, escreveu como se fosse algo que abalasse a tranquilidade da população… Beijo!

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