Uma breve análise


Tinha na ponta da língua um enorme post pós-férias, isso porque não lembrava que voltar ao trabalho significa justamente que você não tem tempo para um enorme post pós-férias. Ainda mais quando o retorno cai no meio da semana, com uma coluna para fechar, depois de um mês sem quase ter notícia do mundo literário nacional e com 30 dias de e-mails para deletar. Nem tive tempo de checar se as editoras se comportaram bem na minha ausência…

Então resolvi começar pelo fim. Pelo meu último texto de antes das férias, uma pequena análise para acompanhar a reportagem de capa sobre e-readers que o Link publicou em 28/3. É coisa simples, mas gostei particularmente de fazer porque precisava resumir em poucas (pouquíssimas) linhas a postura do mercado editorial brasileiro em relação aos e-books – e falando para um público que, na teoria, está muito mais ligado na cultura digital que no universo editorial.

Achei bem informativa (inclusive para quem acompanha o mercado editorial) a tabela que saiu junto com o texto, apurada lá pelo Link, um raio-x das livrarias digitais no País.

***

Com vendas pífias, editoras hesitam

Por Raquel Cozer*

É que nem festa de chefe, definiu certa vez um editor ao falar da entrada de sua empresa no mercado digital: você não morre de vontade de ir, mas também não pode faltar. Foi com essa sensação que as editoras nacionais deram, em 2009, os primeiros passos rumo ao eletrônico. De repente, todo mundo era novato. Ninguém sabia formatar um e-book, então os arquivos tinham de ser enviados para reformatação na Ásia, de onde voltavam sem acentos e sem pedaços do texto. Direitos autorais eram outros 500. Lançar velhas obras no novo formato? Só refazendo todos os contratos com os autores.

De lá para cá, parte razoável das editoras ganhou know-how, mas a comercialização de e-books segue pífia. Até o mês passado, por exemplo, a Sextante tinha vendido 100 mil cópias impressas de O Aleph, de Paulo Coelho, ante cerca de 100 digitais. Sem retorno, as casas hesitam em investir. Para se ter noção, na Livraria Saraiva estão à venda 2.200 e-books nacionais, ante 200 mil importados. A Companhia das Letras, que tem 20 títulos eletrônicos (de um catálogo de 5 mil obras), só apostou na área ao fechar acordo com a Penguin americana, pelo qual livros em parceria teriam de sair nos dois formatos.

Um dos resultados dessa parceria, O Amante de Lady Chatterley, é o 10º e-book mais comprado na Cultura – que, como a Saraiva, não dá números dessas vendas (o motivo você pode imaginar). Quase todo o resto da lista é de desanimar o leitor mais voraz: Como Lidar com Pessoas Difíceis, O Monge e o Executivo e por aí vai. Como acontece com os livros em papel, autoajuda e acadêmicos estão entre os mais procurados no País. E empresários, afinal, investem mesmo é no que vende.

* É repórter e colunista do Sabático e assina o blog A Biblioteca de Raquel no Estadão.com

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7 Respostas

  1. Cheguei aqui através do blog do Marcelo Rubens Paiva, a quem leio muito nos intervalos de meio de semana. Foi por acaso, mas gostei muito do conteúdo.

    E embora trabalhe com conteúdo virtual tbm, sou bem mais “interessada” no universo editorial.

    Abraço

  2. Boa noite,
    Gostei da maneira sistemática de agrupar as informações, mas ainda fiquei com uma dúvida e talvez eu possa esclarecê-la por aqui.
    Minha dúvida é a de um absoluto neófito em e-readers, mas muito interessado em adquirir um em breve. Tenho vários livros em PDF que baixei gratuitamente do site da Imprensa Oficial do Estado dentro da coleção Aplauso. Como eu faria para lê-los nos e-readers mencionados na matéria? Eles possuem alguma entrada USB para a leitura de pen-drives?
    Grato pela atenção.

    • Oi, Claudio! Essa parte tecnológica (a tabela) ficou por conta do povo lá do Link, eu fiz só a análise de mercado. Gostaria de poder ajudar, mas acho que eles podem fazer isso melhor do que eu. Você pode entrar em contato no Twitter, via @link_estadao, que eles respondem.

  3. Raquel,
    Obrigado pela dica. Tentarei esclarecer minha dúvida por lá.

  4. […] a já difícil empreitada de animar o mercado a investir de verdade em e-books (escrevi no Link análise sobre esse lento processo, tempos atrás). Taí a coluna, publicada no Sabático de […]

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