Bob Dylan por Bob Shelton


Taí o resultado da leitura de cerca de 700 páginas de que falo no post abaixo. Em se tratando de quem trata, é sempre um prazer, embora o texto nesses casos nunca fique como eu gostaria. Esse foi a capa do C2 Música de hoje, acompanhado por análise do Alexandre Matias, editor do Link, sobre a importância de Bob Dylan: neste mês, dia 24, o autor de Like a Rolling Stone completa 70 anos. Vi que estão saindo uns cinco livros sobre ele lá fora. Não li os outros, mas tudo indica que este seja o melhor.
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Perto do mito

Sai no Brasil edição revisada de No Direction Home, biografia de Robert Shelton, jornalista que “descobriu” Bob Dylan em 1961 e teve acesso privilegiado à vida do músico
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Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo
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O rapaz de 20 anos refletiu por dois instantes: “Bob Dylan, Bobby Dylan, Bob Dylan, Bobby Dylan… Escreva Bob Dylan! É como quero ficar conhecido.”

Transcorria a última semana de setembro de 1961, e o músico, após um show no clube Gerde’s Folk City, em Greenwich Village, falava pela primeira vez à imprensa. O entrevistador era um amigo recente, habitué da cena folk nova-iorquina, Robert Shelton (1926-1995) – que, dias depois, publicaria no New York Times: “Suas roupas podem estar precisando de ajustes, mas, quando ele toca violão, gaita ou piano, não restam dúvidas de que está arrebentando de tanto talento”.

À resenha se seguiu um contrato do então anônimo músico com a poderosa Columbia, mas os bastidores daquela noite e de inúmeras outras nos anos 60 – que outros biógrafos puderam só apurar, em vez de vivenciar – foram conhecidos apenas em 1986, quando Shelton enfim conseguiu publicar No Direction Home, projeto acalentado por duas décadas.

E só agora, 50 anos após aquele primeiro texto, passados 26 anos da morte do autor e no mês em que o compositor de Blowin’ in the Wind e Like a Rolling Stone completa 70 anos (no dia 24), a biografia sai nos EUA tal como Shelton a concebeu. Revisada por Elizabeth Thomson, amiga que acompanhou os anos finais de edição, é também a primeira versão a sair por aqui, pela Larousse do Brasil, no próximo dia 15.

“Shelton sempre disse que a biografia havia sido ‘resumida sobre águas turbulentas’”, disse Thomson ao Estado. “O livro terminaria com a turnê de 1978. Como a edição demorou, ele teve que atualizar até os anos 80, que não era uma boa fase de Dylan, e ele não tinha muito o que dizer. O forte eram os anos 60, quando Dylan e ele saíam juntos. Boa parte foi cortada em 1986 para que o livro tivesse tamanho aceitável.”

A nova edição, com consideráveis 768 páginas, é bem mais detalhada sobre os anos 60 e termina como Shelton queria, em 1978. Um ponto alto é a descrição de um voo no avião particular de Dylan, em 1966, quando uma exclusiva era chance rara para qualquer jornalista. A edição de 1986 deixou a situação “formal e entediante”, segundo Thomson. “Não dava a dimensão do que era aquele homem acelerado, por bebidas, drogas ou o que fosse, falando sem parar.”

No livro, Shelton descreve: “O ritmo do discurso e a vitalidade dos pensamentos passaram a inflamar Dylan. Seus olhos estavam despertos quando ele prosseguiu: ‘Pergunte qualquer coisa que respondo. Agora temos algo muito claro em relação ao livro. Darei a você quanto puder do meu tempo. Você pode me enrolar, mas nunca vou perdoar se fizer isso, cara’”.

Na nem sempre confortável posição de amigo, o que assumidamente interferiu em análises na biografia, Shelton manteve acesso a Dylan enquanto outros repórteres se debatiam em tentativas de entrevistas com resultados dadaístas (aquelas famosas, com perguntas e respostas do gênero “Sobre o que é seu livro?” “Anjos.”; ou “Quantos cantores de protesto existem?” “Cerca de 136.”). O jornalista testemunhou inclusive a origem da aversão do amigo à imprensa: uma reportagem da Newsweek, de 1963, que localizou os pais de Dylan, com quem ele não falava havia anos, e revelou seu nome real, Robert Zimmerman.

Shelton também viria a falar com a família, criando retrato pungente das discrepantes lembranças de Dylan e de seus pais em relação aos tempos em que ele vivia em Minnesota. Mas isso após pedir autorização, como fez também antes de entrevistar Suze Rotolo, a namorada eternizada na capa de The Freewheelin’ Bob Dylan (1963). A esse pedido de Shelton, Dylan respondeu: “Ela sabe mais do que ninguém que, em 1961 e 1962, quando não tinha ninguém por perto, eu tocava aqueles velhos discos de Elvis Presley. Na verdade, eu disse a ela para nunca falar com ninguém. Mas, se você quiser falar com ela, tudo bem. Só não a pressione, ok? Todos a pressionam”.

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4 Respostas

  1. […] E-mail Segue trecho inicial do décimo capítulo da biografia No Direction Home, sobre o qual escrevi no post abaixo. O texto de Robert Shelton foi feito a partir de entrevista concedida por Bob Dylan em 1966 a Bob […]

    • Ai, que mancada a minha! Postei correndo antes de vir pro Rio e deixei de fora o melhor texto! Coloco o link assim que voltar pra SP, pq aqui no Rio to so com meu Nokia, que não é nada smart na hora de por links (mentira, eu é que não sou smart pra saber linkar com esse Opera Mini)

  2. […] Raq escreveu a capa do Caderno 2 de hoje sobre o aniversário de 70 anos do velho Bob e eu escrevi o texto abaixo, que foi no pé da página […]

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