A coluna Babel de 2/7


Peço desculpas pela semana quase inteira longe daqui. Com leituras a terminar antes da Flip (duas entrevistas marcadas para segunda, sobre dois livros que mal comecei a ler, avaliem…) e ainda algumas pautas paralelas, a biblioteca acabou ficando de lado. Durante a Flip, a maior parte das atualizações deve ser mesmo pelo recém-reativado blog do Estadão na Flip, mas vou ver se consigo escrever aqui vez por outra – amanhã com certeza, porque há ótimas fotos de uma entrevista que fiz para o Caderno 2 Domingo.

Por ora, segue a coluna publicada no Sabático de hoje.

***

BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br

CONTO
Um “inédito” encontrado em sebos

Na teoria, é inédito o conto-título da coletânea Axilas (trecho abaixo), de Rubem Fonseca, que será lançado pela Nova Fronteira na Flip, dia 8, com a novela José. A curiosidade é que até ontem o conto podia ser comprado em pelo menos dois sebos paulistanos, o Messias e o Aroeira, dentro de edição de Romance Negro (capa abaixo) que a Companhia das Letras não chegou a pôr no mercado. O livro foi impresso em 2009, antes de o autor sair da casa, e não foi distribuído, mas cópias vazaram. A princípio, Fonseca não vai ao lançamento em Paraty.

Trecho do conto Axilas

“Eu ainda não sabia o seu nome, que depois descobri ser Maria Pia. Ela já estava sentada quando vi os seus braços, braços finos, que para o meu bisavô não causariam o menor interesse, ele provavelmente os acharia feios. Além do mais, Maria Pia usava uma manga cavada e os braços estavam totalmente desnudos. Meu bisavô gostaria que ela usasse mangas curtas meio palmo abaixo do ombro e que seus braços fossem cheios do jeito que Machado de Assis descreve no conto “Uns braços”. Maria Pia era fina, toda ela, eu sabia, desde o início, vendo-lhe apenas os braços. E quando ela deu-lhes movimento, pude ver parte da sua axila.

A axila da mulher tem uma beleza misteriosamente inefável que nenhuma outra parte do corpo feminino possui. A axila, além de atraente, é poética.”


NEGÓCIOS
Depois do digital, o papel

Depois do assédio (por ora) infrutífero da Amazon sobre editoras, chegou a vez das fabricantes de papel. As duas maiores fornecedoras para o mercado editorial preparam ações para a Flip com um mesmo objetivo: ampliar o interesse de editores pelo papel off-white (amarelado). Segundo pesquisas, ele permite leitura mais agradável, embora seja um pouco mais caro que o branco.

*

A Suzano, detentora de ampla maioria desse segmento com a marca Pólen, estará na Flip pela segunda vez, com lounge para “degustação” de livros com os dois papéis. Já a International Paper estreia em ação com a Ediouro, no lançamento dos títulos de Rubem Fonseca e da Coleção Fronteira. Embora a IP lidere a venda do branco, o seu off-white, Chambril Avena, existe só há dois anos. O Pólen tem duas décadas e é usado em todos os livros da Companhia das Letras.

INTERNET
Serrote ininterrupta

 

Dia 6, quando estiver circulando em Paraty a serrote #8 1/2, entra no ar o site da revista quadrimestral de ensaios do Instituto Moreira Salles. O endereço www.revistaserrote.com.br incluirá parte do conteúdo das edições anteriores, seção visual da designer Mariana Newlands sobre bibliomania (acima, trabalho feito a partir de foto de Otto Lara Resende) e coluna com dicas de leitura de sites e publicações, por Flávio Pinheiro.

DIGITAL
Leituras do futuro

Plínio Martins Filho, presidente da Edusp, defende que o livro impresso tem tecnologia “mais avançada que a dos leitores eletrônicos”. Cristiane Costa, professora da UFRJ, avalia que no futuro “as experiências de ler, ouvir e ver não serão mais distintas”. Os argumentos integram a antologia sobre possibilidades eletrônicas LivroLivre, que será distribuída na Flip em ePub e impresso, sob licença Creative Commons. É a estreia da Ímã Editorial, casa que pretende investigar formas de publicação digital.

ORIGINAIS
Rock, paz e amor

“Vou ficar na minha, contando histórias, que é o que sei fazer”, diz Ignácio de Loyola Brandão. Convidado a debater com Antonio Tabucchi na Flip, acabou que dividirá mesa com outro italiano, Contardo Calligaris, após a desistência do primeiro. Loyola pode falar do livro que acaba de entregar à Global, O Ano em que Fui para Woodstock, cujo relato inclui os dias de “rock, paz e amor” que viveu no festival em 2000, aos 64 anos, em viagem pela Nova Inglaterra.

QUADRINHOS
Joe Sacco em São Paulo

A Companhia das Letras enfim fechou data com Joe Sacco em São Paulo. O cartunista conversa com Ronaldo Bressane na Livraria da Vila Fradique dia 12, ao meio-dia.

APOSTA
Estreia indiscreta

Conhecer a história poderia ter evitado o malfadado congelamento de preços do governo Sarney – um similar na Roma de 285 d.C. já mostrava por que a coisa não funciona. Com casos do gênero para explicar economia, Crash!, de Alexandre Versignassi, virou aposta da Leya. Sai semana que vem com 50 mil cópias, tiragem inicial mais alta da casa até hoje e uma enormidade para um estreante. O patamar será superado em agosto pelo Guia Politicamente Incorreto da América Latina, de Leandro Narloch: 100 mil cópias.

DESPEDIDA
Mudanças na Globo Livros

Após 22 anos de Editora Globo, Sandra Espilotro deixa a casa. O nome que a substituirá na direção editorial da Globo Livros deve ser anunciado depois de amanhã.

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8 Respostas

  1. […] Rubem Fonseca e da Coleção Fronteira pela Nova Fronteira (falo curiosidades sobre isso na coluna Babel publicada no Sabático de hoje), lançamento da Granta sobre jovens autores de língua espanhola (com presença do convidado da […]

  2. Quero só ver se na Flip você estará desfilando com as axilas à mostra!

  3. Adriana Calcanhoto já comprou discos por causa das capas e eu já desisti por causa das capas, estou me referindo aos livros O Cobrador e o Caso Morel, ambos editados pela Agir. Apesar disso, achei bem interessante a editora colocar cópias de reportagens sobre os livros na parte final de cada edição. E essa história de Fonseca só conceder entrevistas para o pessoal da Alemanha?

  4. O Verde Violentou o Muro, de Loyola Brandão, eu comecei a ler numa viagem pra Campina Grande, quando estudava Engenharia de Minas. Não Foi Nada, de Antonio Skármeta também se passa em Berlim e é sobre uma família que se muda para a Alemanha por causa da queda de Allende e eu não poderia esquecer de Um Brasileiro em Berlim, de Ubaldo Ribeiro, onde ele mostra de uma maneira bem humorada, que os brasileiros, em termos de sexo, são caretas.

  5. E os Cadernos de Literatura do Instituto Moreira Salles quando serão liberados, eu fui ao site e só achei uma entrevista de Clarice Lispector ao Jornal do Brasil.

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