Divagações pós-Flip


Entrevista coletiva com Antonio Candido, na quarta de manhã. Para mim, valeu toda a Flip (eu tô no chão à esquerda da imagem, dá para ver só o meu cabelo...)

Pausa para um chá com torradas e geleia de pimenta verde. Não chega a ser folga, já que tenho dois livros a ler para uma entrevista depois de amanhã, mas é um alento esticar as pernas depois de uma cobertura como a nossa, com equipe reduzida e meios ampliados – além do impresso, do blog e do Twitter, ainda teve o Bira fazendo três entradas por dia na rádio Estadão ESPN, a primeira delas às 6h30 da manhã. Por sorte, o fotógrafo que foi com a gente, o Wilton Junior, teve a sacada de levar também uma câmera de vídeo e fez, no improviso, as vezes de TV Estadão, garantindo, por exemplo, os vídeos com histórias do Antonio Candido antes da participação dele na mesa de abertura. Para repetir uma expressão que ouvi durante a Flip, diria que foi uma equipe de poucos e bons (foram também o Toninho e o Ivan Marsiglia, que ficaram mais focados em especiais. A Laura Greenhalgh foi como mediadora da mesa do Nicolelis e do Pondé e, solidária, acabou dando uma forcinha no blog no fim de semana).

Sérgio Rodrigues já fez no Todoprosa um post bem contundente sobre o grande baixo e o grande alto desta Flip, então disso eu vou me abster. Mas pensei que, antes de abandonar o assunto e enfrentar a pilha de livros lá na Redação, valia ainda escrever sobre algo que me chamou a atenção nesta edição.

Acho que daria pra resumir num título de release que o Delfin tuitou: “Pela primeira vez, literatos e críticos terão cadeiras Herman Miller durante os debates”. O caráter comercial em torno da coisa cresceu de um jeito que tem uma parte da “nova Paraty” – ou sei lá como chama aquele lindo novo passeio ao lado do canal – que lembra os estandes das Bienais do Livro. Aquele tanto de anúncio paralelo, gente e empresas querendo aparecer, ida de ministra, tudo aquilo contribuiu para o meu cansaço de uma forma que até de pensar em contar dá preguiça. Ok, você vai me dizer que é bom que empresas invistam num evento literário e você pode estar certo, olhando a situação só até a parte em que se fala de investimento e não de pura tentativa de pegar carona em prestígio. Só me deem o direito de achar que podia ser menos ostensivo.

(Aqui preciso abrir um parêntese para comentar o quanto gostei da mudança da Tenda do Telão para o lado de fora do centro histórico. Ao migrar para o fim do passeio ao lado do canal, ele levou a Flip à praia. Vi a mesa do Ubaldo de lá, à beira de um quiosque, esperando para tomar minha cervejinha enquanto tuitava as melhores frases, e cercada de gente espalhada pela areia. O chato foi só que o vento do litoral obrigou a tenda a ficar com um dos lados fechados, reduzindo a capacidade do público não-pagante.)

Tinha pensado em falar neste post também das mediações, essa função difícil e ingrata que é tipo juiz de partida de futebol; se for bem, pouca gente percebe, mas, se for mal, o povo cai matando. Teria coisas a dizer sobre essa tênue fronteira entre falar bem e falar demais. Mas tenho amanhã essa sabatina com o valter hugo mãe em São Paulo, e não sou lá muito experiente como mediadora, então deixo para fazer quaisquer comentários depois, se ainda quiser voltar ao assunto.

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2 Respostas

  1. Acho que a grandeza da Flip se chama Antonio Candido. Tenho veneração por esta figura ímpar da cultura brasileira.

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