Não tente fazer isso no seu Kindle – parte 2


Houve um momento, ano passado, em que percebi que não adiantava mais favoritar textos no Google Reader com a ideia de voltar a eles depois. Estrelas em feeds ou no Twitter servem só para aplacar a culpa pela incapacidade que a gente tem de parar para prestar atenção no tanto de informação que invade nossa vida.

Como as estrelas de favorito já não surtiam nem o efeito placebo de enganar a consciência, criei no email uma pasta para a qual passei a enviar tudo o que pretendia olhar com calma depois. Mandar email tipo post it pra si mesmo é prática antiga de qualquer um, vai, mas eu nunca tinha organizado numa pastinha, então sempre acabava apagando as mensagens depois que a validade delas tinha vencido. Desta vez, criei um enorme depósito de tranqueiras virtuais relacionadas a livros, literatura e afins, das quais até hoje só consegui resgatar uma ou outra imagem para posts carentes de ilustração.

Lembrei do banco de dados improvisado dia desses, quando li no jornal sobre a exposição Além da Biblioteca. Ela teve abertura neste último sábado e fica em cartaz até outubro no Museu Lasar Segall, em São Paulo, com trabalhos de vários artistas que evidenciam a forma e o conteúdo funcional do livro. Como esse aqui (o meu preferido dentre os que aparecem no site do museu), de Odires Mlászho:

Ainda não pude ir ao museu para comentar, então resolvi reunir num post, numa curadoria bem pessoal, exemplos de arte feita a partir de ou inspirada em livros, entre links que separei ou me foram enviados (estando Ronaldo Bressane e Thais Caramico, aos quais sou grata, entre os doadores da tranqueira virtual).

À arte, então.

***

Neste primeiro, Jill Sylvia remove blocos em branco de livros de contabilidade para criar uma malha de papel. Com os esqueletos de livros, constrói réplicas de prédios famosos, como o Capitólio e a Casa Branca.

A ideia de Meg Hitchcock, abaixo, é “desconstruir a palavra de Deus”. Pega trechos da Bíblia, do Alcorão e do Torá, corta as letras e as remonta, como malhas, recriando textos de outros livros sagrados. Deve ser mais legal para quem lê, mas não achei com resolução para enxergar o que dizem os crochês de citações.

Este abaixo já vai mais para decoração: o designer Michael Bom transforma livros em lustres.

Aliás, isso me fez lembrar de uma outra espécie de lustre, abaixo, que o Bressane me mandou por email, da livraria portenha Eterna Cadencia. A autoria eu desconheço, e também não achei no site deles.

Este abaixo não é bem livro, mas, vá lá, leitura. É do japonês Ryo Shimizu, que pegou caracteres chineses e os reestruturou na forma do alfabeto romano.

 

A australiana Kylie Stillman cava livros. Selecionei essas três imagens abaixo, mas no site dela tem mais um monte. Parece que tem uma galera que faz esse tipo de arte. O mais famoso é o Brian Dettmer, cujo trabalho postei por aqui no início do ano.

E este último é tão simples que acho que é o meu preferido: a italiana Emanuela Ligabue pega blocos de madeira e pinta como se fossem livros de verdade.

Fontes: web urbanist, Boing Boing, swiss-miss e Fubiz

Em tempo: Aqui, o post Não tente fazer isso no seu Kindle, parte 1.

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7 Respostas

  1. Oi, Raquel
    Você conhece o Evernote? É um aplicativo que funciona como um bloco de notas virtual. Na verdade, ele fica tanto como um programa no seu computador, como no site do programa mesmo, no qual vc acesso suas notas com o seu login. A grande vantagem dele é que ele organiza todas essas coisas espassadas e aleatórias que a gente vai achando, e aí quando vc precisa de idéias para um texto ou algo do tipo fica mais fácil.
    Você também pode deixar um botãozinho dele no navegador, aí toda vez que vc achar uma coisa interessante, você aperta e ele salva a tela.
    O site é http://www.evernote.com/

    Abraços,
    Priscilla.

  2. Opa, conhecia não, baixei agora. Testando! Gracias pela dica 😉

  3. Ai… dói meu coração ver esses livros dobrados e recortados…

    Tomara que sejam todos de auto-ajuda…

  4. adorei a curadoria, raquel! arte de encher os olhos e disparar a imaginação! só um reparo rápido: tem uma letrinha a mais no nome do odires mlászho (aliás, a produção dele toda tem como base os livros, vale uma visita mais detida para quem gosta de arte e de livros; mando o link da página dele no site da galeria vermelho: http://www.galeriavermelho.com.br/artista/89/odires-mlászho). bjul

    • Opa, Jul, delícia te ver por aqui ;-); E bem show o trabalho dele, não conhecia. Será que dá pra fazer mais um, só com brasileiros? Tem também o Waltercio, como lembrou o Eduardo Nasi lá no Twitter. E gracias pela correção, já arrumei! beijo beijo Raq

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