Encalhe, destruição: a superprodução de livros no Brasil


A reportagem de capa de hoje do Sabático começou a se desenhar muitos meses atrás na minha cabeça, ou, hm, talvez fosse melhor dizer que começou a se esparramar na minha mesa de trabalho. A ideia decorreu da percepção de que nunca tantos livros foram enviados para divulgação no jornal, impressão sobre a qual já escrevi aqui e que aproveitei para confirmar na entrevista que Rinaldo, Bira, Toninho e eu fizemos com o Luiz Schwarcz. Como disse na semana passada o Rinaldo, meu editor, se o Sabático tivesse uma carta ao leitor, ela poderia vir com uma foto das nossas baias, nas quais os livros se juntam numa coluna que se pode ver do outro extremo da redação.

Ficavam faltando números, então esperei sair a pesquisa anual de comportamento do mercado editorial, realizada pela Fipe, e trabalhei em cima dos resultados – como escrevi por aqui, a pesquisa tem lá suas limitações, mas é a mais detalhada que se tem desse mercado no Brasil. A apuração começou a ficar interessante mesmo foi depois que o Sergio Machado contou do dilema do armazém que a Record precisa desocupar nos próximos meses – se já não é simples, questões contratuais e de “sobrevivência” da cadeia produtiva, por assim dizer, tornam a coisa quase inviável.

A escrita da reportagem é que foi meio caótica, com direito a voo aqui para o Rio perdido quando eu deveria chegar cedo para terminar o texto e um laptop que me deixou na mão 95% do tempo. Vi entre outras coisas um Harry Potter com um t só na versão impressa e pensei em me matar, mas achei melhor corrigir no online e fingir  que estava tudo bem.

Enfim, taí.

***

Expansão em ritmo acelerado

Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo

Por alto, Sergio Machado calcula que sejam mais de 2 milhões de livros. Isso considerando só o excesso, “algo de que a gente poderia se desfazer sem afetar em nada a editora”. Estão estocados há cinco, seis anos, num armazém alugado próximo à sede da Record, grupo editorial que Machado preside, ali junto ao estádio do Vasco, na zona norte do Rio. Lá seguiriam indefinidamente não fosse o recente pedido de desocupação do lugar. Agora o dono da maior editora de obras de interesse geral do País tem poucos meses para dar destino às pilhas que abarrotam o lugar. “Estamos alugando outro espaço, menor e mais caro, e avaliando alternativas”, diz Machado. “É provável que alguma coisa seja destruída.”

A eliminação de sobras de livros é tema abordado com cautela por empresários, mas a prática de “transformar em aparas”, como eles preferem, é bem menos rara do que se possa pensar, em especial neste momento em que o mercado editorial brasileiro produz muito mais do que consegue vender. A mais recente pesquisa de produção e vendas do setor, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), dá a dimensão. Em 2010, as editoras produziram quase 23% mais exemplares de livros que em 2009, enquanto o crescimento no número de cópias vendidas foi de apenas 13%. Conforme a estimativa, ao longo do ano foram produzidos 55 milhões de livros a mais do que se comercializou para o mercado e o governo, mantendo uma tendência à superprodução já percebida nos últimos anos. Num momento em que o digital domina o debate sobre o futuro do livro, o presente é feito de encalhe de livros em papel.

Os números confirmam a percepção unânime de editores e livreiros desse fenômeno que, mais cedo ou mais tarde, repete-se em vários países. “Há uma superprodução. Trabalho na área desde 1984 e nunca vi coisa igual. De uns dois anos para cá, deu um salto”, diz Ricardo Schil, gestor de negócios da Livraria Cultura. Atuando nos dois lados do segmento, o editor e livreiro Alexandre Martins Fontes diz não ter dúvida de que hoje se produz muito mais do que o mercado pode consumir. “E me pergunto onde isso vai parar. Em algum momento o mercado terá de se autorregular. Porque, se você publica e não vende, uma hora você quebra.”

O inchaço na produção teve como estímulos o aumento das compras pelo governo, o maior poder aquisitivo da classe C e o crescimento de um público leitor mais jovem, decorrência do sucesso de Harry Potter. Mas, mais do que o número de compradores em potencial, o que impulsionou essa superprodução foram as facilidades tecnológicas. “Antigamente, para editar um livro eram necessários equipamentos caros e sofisticados. Aquilo era uma espécie de filtro. Com as novas possibilidades de edição e impressão ficou tudo mais viável”, diz Sérgio Machado.

Entre edições e reedições, publicaram-se em 2010 no Brasil quase 55 mil títulos, numa média de 210 diferentes obras chegando ao mercado por dia útil. Só o Grupo Record, adepto de uma agressiva estratégia de publicar muito para que os sucessos compensem os fracassos, coloca no mercado todo mês 80 novos títulos. Nem uma esfriada nas vendas, como a percebida nos últimos meses pela diretora editorial da casa, Luciana Villas-Boas, prejudica a produção do grupo, que imprime 600 mil exemplares por mês. “Se caem as vendas, acabamos publicando mais títulos, porque as máquinas ficam menos tempo ocupadas com reimpressões.”

Esse tipo de pensamento incomoda editoras menores. “Se por um lado essa variedade de títulos parece boa, ao final, quando o gargalo é a distribuição, o problema fica ainda maior. A disputa por espaço nas livrarias torna-se inviável”, diz Cristina Warth, editora da Pallas.

Com cerca de cem associadas, a Libre, entidade que reúne pequenas e médias editoras, entende que o excesso de oferta prejudica a bibliodiversidade. Foi o que constatou também uma recente pesquisa divulgada na Espanha pela FGEE, a maior entidade editorial local: naquele país, um novo título tem no máximo 30 dias para chamar a atenção do público leitor antes de dar lugar a títulos ainda mais novos nas estantes das livrarias.

O excesso de oferta pode parecer positivo para o leitor, mas não é bem assim. No Brasil, desde 2004 as pesquisas apontam para uma queda no preço do livro, mas mais lenta do que fariam supor as facilidades de impressão e a concorrência acirrada. Como as editoras publicam muito mais do que as livrarias conseguem estocar, os gastos com marketing e estratégias de exposição aumentam os custos o investimento. “Com o exagero na produção de títulos, algumas coisas boas, autores ou títulos, já nascem mortas, pois não conseguirão o mesmo espaço para divulgação na imprensa ou nas livrarias”, diz Warth, da Pallas.

Estocagem. Há algum tempo, o escritor amazonense Márcio Souza recebeu do governo do Pará a sobra de uma HQ baseada em seu romance Galvez, o Imperador do Acre, editada com financiamento público. Era algo em torno de 300 exemplares, que Souza começou a distribuir entre amigos. “Acho que seria mais fácil eu me livrar de um cadáver do que dessa sobra. Ainda tenho aqui uns cem. Ninguém tem tanto amigo.”

Doar é sinônimo de dor de cabeça. Para editoras, preparar kits com poucos exemplares de cada livro e distribuir entre instituições sairia mais caro que estocar e não resolveria a questão da quantidade; tampouco interessa às instituições receber mil exemplares de um livro só. “A doação existe, mas não resolve. Além disso, dependendo do contrato, você não consegue doar sem pagar direitos autorais. Daí precisa de documentação para fins de doação do autor e do governo”, diz Roberto Feith, diretor da Objetiva.

Maria Zenita Monteiro, coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo, responsável por mais de cem pontos na cidade, diz que iniciativas de doações são raríssimas. “Quase 100% dos livros que as bibliotecas têm são comprados. Este ano, recebemos uma única doação de uma editora, a 34, que teve uma sobra de livros que publicaram pelo governo.”

Junta-se a isso o fato de que estocar é muito mais caro que destruir o encalhe, mesmo que a destruição implique perder o dinheiro da edição. No caso dos 2 milhões de livros para os quais a Record precisa achar uma solução, até fazer um saldão seria difícil, já que, segundo Machado, os autores teriam de autorizar os descontos. Logisticamente seria complicado. Só de autores nacionais, ele imagina, são cerca de 1.200, num universo de 3 mil títulos que figuram no armazém.

Feith acredita que a seleção cada vez maior de títulos será imprescindível. “Tudo tem o seu ponto de equilíbrio, o mercado editorial precisa descobrir o seu. Vamos ter de descobrir quando começar a existir prejuízo.” É claro que, no mercado editorial, até o conceito de ponto de equilíbrio é de difícil definição, já que um único best-seller sempre poderá compensar toda a aposta em títulos que encalham.

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35 Respostas

  1. Lembrei de uma vez que fui toda feliz doar um livro pra biblioteca da FFLCH e a moça me tratou como se ela estivesse fazendo um favor pra mim… Mas é, enquanto estava lá vi que eles recebem coleções inteiras, de gente que faleceu e tal, e não têm como processar tudo aquilo. O problema não é bem fazer os livros chegarem às bibliotecas, é fazer os livros *certos* chegarem.
    É como aquele casal que apareceu recentemente, que estava com uma coleção enorme que pegou de um vizinho que morreu. Tinham pensado em vender os volumes. Descobriram que não conseguem nem doá-los, porque é impossível saber ao certo o que tem no meio.

  2. E como se pode saber quando um livro será best-seller? Obras de alguns autores são favas contadas, mas estes já estão ligados a uma editora – com exceção de Paulo Coelho, que mais parece uma mariposa alucinada por qualquer luz que acende repentinamente com brilho ofuscante.
    Nos últimos anos as obras do “mago” têm pererecado por tantas casas publicadoras que fica difícil situar sua mais recente peregrinação editorial. E o mago tem um concorrente de peso: os sebos. Santo Deus, como os sebos estão entulhados de livros desse senhor, parecem mais vastas ninhadas de coelhos! Mas, dizia eu, como saber quando um livro vai cair no gosto do público? Até hoje especialistas em mercado editorial ficam absolutamente intrigados com um fenômeno literário chamado José Mauro de Vasconcelos. O homem vendeu horrores no século passado, principalmente a obra Meu pé de laranja Lima. E continua vendendo barbaridade nos dias de hoje.

    • Pois é, João, não dá mesmo para adivinhar. Daí as editoras vão publicando em busca de um autor que venda, e, enquanto não vende, encalha. Faz parte do negócio, mas é complicado, né? Aliás, sebos são uma boa lembrança. Estocar livros em sebos é uma dificuldade também. Uma vez um dono de sebo me contou que autores de primeira como Jorge Amado e Lygia Fagundes Telles são campeões de encalhe – porque todo mundo já tem em casa ou já leu. Disse ele que nem colocando a R$ 1 conseguia se livrar dos livros…

  3. E por que as editoras não criam suas próprias bibliotecas?! Ao criarem estariam disponibilizandos as publicações ao público. Dessa forma as chances de venderem os livros “encalhados” aumentariam consideravelmente.

    • Oi, Fernando. Hmm, uma espécie de livros para degustação? Poderia ser uma saída… Mas será que ajudaria a vender o encalhe depois? Gracias pelo comentário! Beijo, Raquel

    • Isso mesmo! Eu penso que quanto mais pessoas lerem, mais aumentariam chances das editoras venderem os livros encalhados. Já que tal medida funcionaria, mais ou menos, como uma “amostra grátis” do que as editoras possuem em estoque.

      É claro que sim, pois quem gosta de livro acaba comprando-o. Mas é preciso ter em mente que nem todo o estoque será vendido. Ainda sim permanecerá algumas obras em estoque. O que tenho em mente é a diminuição dos livros encalhados e não o fim do armazenamento. É claro que se todo o estoque fosse vendido isso significaria que o brasileiro seria o povo mais leitor do mundo. E no atual quadro social isso é quase uma utopia. Não concorda!

      A doação gera custo para as Editoras, pois que elas incluam nos contratos assinados com os autores cláusulas sobre futuras doações (bibliotecas comunitárias, públicas, escolas, e outros). O que acha disso?!

      Inte

      Fernando

  4. Creio que se as editoras com esse problema trouxerem o problema para as redes sociais, buscando soluções, muita idéia boa pode aparer e isso se tornará uma estratégia de marketing das editoras. É só saber como fazer.
    Por outro lado, deve estar na hora de mudar os contratos, já que eles não permitem doações caso o livro encalhe. É uma questão de aplicar no primeiro passo da cadeia, algum mecanismo que mude o futuro.
    Nos contratos que já existem e que não permitem as doações, 1.200 autores cabem em um mailing onde se estabeleça uma comunicação a respeito do problema. Se eu fosse autora, gostaria que fossem doados para mim, para eu presentear amigos. E até me encarregaria de ir buscar porque não quero um livro meu indo para o lixo ou virando aparas. E se não pudesse buscar meus livros, poderia pedir alguém para buscar para mim ou autorizar sua destruição. Diálogo resolve muito problema, saibam disso!
    Mas ainda temos de pensar na cadeia de produção editorial, senhores. A Rio+20 está vindo aí. Já são 20 anos falando de desenvolvimento sustentável, cadeias de produção sem resíduos. Temos uma nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, hoje é dia de limpar o Brasil (Eu Sou Catadora!), há milhares de cooperativas de catadores que buscam material para reciclar onde estiverem, e criatividade para resolver problemas é o que não falta. Autor concordando, doação feita, cooperativa busca e a empresa ainda pode dizer que ajudou catadores, fechou a cadeia produtiva e ainda sai bem na foto para seu público. Tem opotunidades de marketing em toda parte que se olha.

    • Oi, Maria, obrigada pelas ótimas ponderações sobre o assunto. O Sergio Machado comentou (isso não coube no espaço da matéria no jornal, mas é interessante) que nos EUA faz-se uma espécie de leilão com encalhes, e empresas compram milhões de livros a 63 centavos a unidade – daí se responsabilizam por tentar vendê-los onde a distribuição normal não chega, organizar saldões etc. Acontece que isso no Brasil causaria um auê entre os setores da cadeia produtiva. A possibilidade de mudar o contrato acho que seria uma boa saída para começar a facilitar as coisas. Agora, como autora, você teria direito sim às suas sobras. Teve até um caso recente (faz uma busca no Google por Chantal Dallmas, acho que é isso, uma autora que foi buscar seus livros na Planeta). Acho que difícil é ter onde estocar e saber como passar para a frente milhares de cópias do mesmo livro! Outra saída, acho, seriam tiragens menores do que as padrões de 3.000 a 5.000 mil exemplares de hoje em dia, já que cada livro tende a vender menos – mas isso também encareceria o processo, podendo tornar mais caro o produto final. Enfim. Não é fácil a questão, né? beijo, Raquel

  5. A Saraiva transformou algumas lojas de São Paulo em saldão por um período e funcionou muito bem. Foram direcionados a estas lojas os encalhes de todas as outras, os livros foram separados por faixa de preço e todo dia chegavam novas caixas. Vi gente saindo com dez, quinze volumes e voltando no dia seguinte para garimpar mais. Acredito que a direção da Saraiva possa dar informações mais concretas sobre o resultado da ação, mas visualmente os livros desapareceram da prateleira e vi pessoas perguntando quando vai acontecer um novo saldão.

  6. Essa questão da superprodução tem a ver com os excessos do capitalismo atual, no caso específico, o consumismo made in USA chegou até aqui e será preciso uma regulação no mercado editorial ou pelo menos nas grandes editoras.

    Tenho certeza que uma das sugestões dos colegas acima surtiria grande efeito: leilões privados e porque não leilões públicos? Seria muito bacana a Biblioteca Nacional e as Bibliotecas Estaduais e outras grandes bibliotecas como a Mário de Andrade e o Sistema Municipal de Bibliotecas de SP poderem comprar essas obras com preços menores e terem a oportunidade de disponibilizar aos cidadãos mais livros com menos gastos.

    Enfim, as editoras devem evoluir e terem uma atitude mais solidária: antes de sobrar, porque não oferecer mais descontos e ampliar o acesso ao livro a preços mais baratos? Isso vem de encontro a uma proposta (meio populista diga-se) do atual presidente da Biblioteca Nacional que diz que irá implantar o livro a R$10,00!

    Abraços!
    William

  7. Excelente matéria, Raquel. Parabéns, de grande ajuda aos pequenos editores do mercado como eu e também aos leitores. Abraços, Eliana

  8. Trabalho em uma editora que possui um parque gráfico próprio. Tudo por lá é feito sob demanda, para lançamentos são impressos no máximo 30 exemplares, eo livro vai para venda na loja virtual, vendeu, produz e entrega, algumas pequenas editoras produzem lá em quantidade abaixo de 100 livros também. O preço unitário é um pouco acima de quem produz 1000 unidades, porém o custo com armazenamento é zero.

    Acho um ótimo caminho, racional e sustentável.

    abs e parabéns pela matéria

    gilber.rj@gmail.com

  9. Como coautora de dois recém lançados livros, sinto-me vitima desse sistema. Poderia escrever muito sobre o tema, mas o resumo da ópera é que tenho recebido críticas superpositivas sobre os dois títulos (uma biografia e um guia) de pessoas próximas que compraram ou ganharam um exemplar. Só que outros amigos ou conhecidos vão à livraria, não conseguem comprar o livro, pois não está disponível, lamentando o fato comigo. OK, existe a internet, mas muitos preferem o tato, tocar no livro, folhear antes de comprar.
    Comecei a reparar mais nos locais de venda existentes em todos os tipos de espaço – de postos de combustíveis às maiores livrarias. São os mesmos títulos em destaque, o que contribui para a supervenda destes, em detrimento dos demais autores, que muitas vezes por isso tornam-se encalhe! Serão obrigados a doar, pois o livro não chegou ao conhecimento do público? Ou, pior, chegou, mas a pessoa não o encontra nos locais por onde passa e não tem paciência de esperar pela encomenda? Sim, o imediatismo também é parte de nossa cultura de consumo. Ou será que eu tenho de montar eu mesmo uma banca, para vender o título. Qual a finalidade, então, do sistema atual, que inclui editoras e livrarias?

  10. Fala-se do mercado, das editoras, das livrarias – que prezam nem sempre o melhor. Ok, e os escritores? Eu sou leitor e posso afirmar com toda franqueza: tá difícil. Na minha opinião, criticar Paulo Coelho (que provavemente escreve através de ghosts) é chover no molhado. A literatura brasileira contemporânea, por exemplo, está fraquíssima em termos de qualidade. Péssimos autores, péssimas histórias. Salvo raras excessões. Boas publicações, boas vendas.

  11. Raquel,
    E que tal se fosse criada uma bolsa-livro, com distribuição de boa parte deste acervo adquirido pelo governo ou empresas com incentivos fiscais, e depois incentivada a criação de clubes de leitores e a respectiva distribuição das obras em escolas, centros comunitários ?

  12. Num momento em que o Brasil é a bola da vez, sabe que sobram tantos impressos e quase ninguem investe no digital, me preocupa.
    Toda editora deveria ter um departamento responsável por cuidar da distribuição das doações. Como caráter de responsabilidade social mesmo, e que atingisse bibliotecas e escolas do país inteiro, e não apenas as grandes.
    Tem muita gente querendo ler por ai. e o livro com um preço inacessível à grand eparte da população. por que não juntar o útil ao agradável?
    Ou, ao menos, ter o bom senso de diminuir a quantidade de títulos publicados no mês e, principalmente, reduzir as tiragens desnecessárias.
    Sou uma amante de livros, mas contra esse excesso absurdo.

  13. Parabéns pela matéria, veio em boa hora. Repassarei aos alunos de nossas oficinas do livro e incitarei o debate. Hoje mesmo há um evento sobre questões editoriais aqui na FNAC de Porto Alegre, e abordarei o assunto. Aliás, surpreendeu também a colaboração dos leitores, de fato muito boas. O que prova que com o diálogo a criatividade aparece e as soluções inteligentes proliferam.

  14. Oi Raquel. Não li todos os comentários então não sei se alguém já comentou…
    Acredito que talvez uma possível solução seja os livros sob demanda. As editoras poderiam imprimir um número mínimo de exemplares para livrarias, tendo um mínimo de estoque nas editoras.
    Os leitores interessados pelos título fariam seus pedidos diretamente pelas editoras. Aliás seria uma ótima solução para títulos esgotados. Há tempos procuro “O leilão do lote 49” do T. Pynchon e não encontro nem em sebo. Esgotado pela Cia das Letras acredito que eles não pensam em reimprimir. Pelo menos não tive nenhuma resposta das vezes que me dei ao trabalho de perguntar para eles. A impressão sob demanda seria uma solução tb para este caso.

  15. Um post antigo do blog da Bensimon, sobre quanto custaria comprar 100 livros apontados pela Bravo (em 2007).

    “Mas, de fato, o mais importante que fiz com a lista, com o apoio logístico e intelectual do Diego, foi contabilizar a quantidade de dinheiro que se gastaria comprando todos os 100 livros sugeridos, considerando a edição apontada pela Bravo (e, no caso de o livro estar esgotado, procurando uma cópia usada de preço mais baixo na estante virtual).

    Resultado: R$ 5.667,96

    Ou seja, nada que a gente não soubesse: impossível querer que se leia nesse país.

    Mas então fomos além na trabalheira. Resolvemos procurar todas as 100 obras na amazon francesa e ver quanto um francês gastaria para ler a mesma centena recomendada.

    Resultado: € 1.187,44

    O que quer dizer que, além do francês poder comprar Medéia, Tartufo, Madame Bovary e outros por 1,90, provavelmente um brasileiro francophone poderia encomendar tudo isso e, depois da conversão e da taxa de importação, ainda assim sair no lucro.

    A tabela de Excel ficou realmente assustadora. Por exemplo, a primeira obra da lista, que é a Ilíada, sai aqui por R$150 (dois volumes, R$75 cada), enquanto que, na França, paga-se €5,23 por ela.”

    http://www.insanus.org/offset75/arquivos/023248.html

  16. Raquel,

    Adorei a matéria! Parabéns!
    Solução para o encalhe é dificil,hein? Saldão, doação com menos burocracia seria o ideal. E uma seleção maior e mais rigorosa no que vão publicar,não é? Sei que é dificil saber qual livro será sucesso,mas editar também deveria ser apostar no “feeling”do editor. Beijos e mais parabéns!

    • Seleção maior e mais rigorosa seria uma saída, Christiane! Agora, quem define isso? Daí vai aparecer gente dizendo que há censura. Tinha de partir mesmo do feeling dos editores, creio… Mas feeling não funciona como peça de mercado, infelizmente!

  17. Primeiro, que tal diminuir o preço? Segundo, que tal vender nas bancas a preço popular? E terceiro, que tal parar de publicar coisas do tipo “Darth Vader e o Marketing de Guerrilha”?

  18. Se a 34 pôde doar na boa, por que as outras editoras não podem? Tem caroço nesse angu.

    • Tem a ver com quantidade, entre outras coisas, Bruce. Tiragens inteiras, dessas de 10 mil, 20 mil, de grandes editoras, por exemplo: como distribuir isso para doação sem gastar mais dinheiro além do gasto pelo encalhe dos livros? E que instituição vai querer tanto livro igual? O ideal para doação seriam pequenas quantidades de muitos títulos diferentes…

    • Aliás, Raquel, se a 34 quiser fazer doações para mim, não vou nem reclamar. Rs.

  19. Boa noite!

    Desculpem a tolice, mas aí está:

    Querem doar livros? Mandem alguns para mim… Sério, muito sério! Nem sempre posso pagar R$ 60,00 a R$ 80,00 para comprar os mais interessantes, alguns até didáticos.

    Podem divulgar o meu “e-mail”, sem problemas: serdepaz2011@gmail.com.

    Em seguida, mandarei o endereço e aceitarei as doações com muito prazer.

    Cordialmente,

    Elvis Kempes
    (Salvador/BA, 31 AGO 2011 – 20:57).

  20. […] estava fora de São Paulo quando fechei a reportagem sobre superprodução de livros no Brasil, capa do Sabático da semana retrasada. Tinha pautado, com a autorização da Luciana Villas-Boas, […]

  21. Penso que nada justifica destruir ao invés de doar. É como aqueles plantadores que preferem jogar fora o excedente do que distribuir entre os carentes. Não precisa ser de graça, mas ponha um preço camarada, como a ONG Corazones Abiertos faz no Paraguai.
    A alguns anos fui doar uma caixa de livros, na biblioteca do meu bairro, e eles recusaram, porque não tinham espaço pra nada. Entretanto, a biblioteca da escola de Varzelândia, cidade no norte de MG, não tinha quase nada à época. Não seria interessante ter uma “central” que pudesse receber e redistribuir esses livros entre bibliotecas, instituições e pessoas interessadas em manter uma Mala do Livro, ou uma Barca das Letras?

  22. Sabe a solução pra isso? Estantes em pontos de ônibus, em pontos de táxi, em saguão de hotel, porta de estádio em dia de clássico, na feira livre do lado da barraquinha de pastel, na portaria de parques, etc, etc. É só por uma plaquinha “livros grátis”. A logística disso seria bem complexa, mas com a participação de diversos atores da sociedade civil, é viável.

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