Das adúlteras

Soube ontem que, por esses dias, o texto mais lido em todo o site do Estadão era sobre o caso Sakineh (não sei qual reportagem em particular, daí finge que não deu para perceber que chamei para toda a cobertura). À frente, veja bem, do stage diving da Lady Gaga. Não é nada? Vá prestar atenção nos assuntos mais lidos de qualquer site noticioso do País. É de uma raridade ímpar um tema de fato sério liderar a lista.

Daí, ontem mesmo, por coincidência, o escritor Fabrício Corsaletti mandou um e-mail coletivo para amigos com este poema, para quem quisesse publicar no próprio blog. Certeza de que não fui a única, mas eu quis.
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APEDREJEMOS AS ADÚLTERAS

vamos sequestrar as mulheres do Irã
enquanto seus maridos dormem bêbados
depois da última noitada
vamos nos casar com as mulheres do Irã
e criar seus filhos —
vamos deixar os homens do Irã sozinhos
batendo punhetas nervosas
ou fodendo uns aos outros —
vamos amar as mulheres do Irã
vamos ser traídos pelas mulheres do Irã
vamos perdoar as mulheres do Irã
e ser felizes com as mulheres do Irã

vamos sequestrar as mulheres do Brasil

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Sótão literário

Vez por outra aparece alguém pedindo dica de algo para ler. De livro faço listas; difícil é encontrar os bons não-publicados. Aproveito então um desses lances de sorte para dar um atalho: o recém-criado blog da NinaDValle, A Louca no Sótão. Quem é blogueiro das antigas e curte poesia e tradução deve se lembrar do falecido MeetZaMonster, que a Nina um dia enterrou sem avisar a ninguém. Daí, por estes dias, ela voltou. Poesia em texto e imagem, pra encher os olhos. Vê lá se não é.

CATFIGHT

Cá estamos nós novamente,
Esperança.
Sorrindo, frente a frente.
Sei bem quem você é
(a puta de vestido verde)
Sei teu método, teu preço
Terei eu a manha, a grana?
Cá está tua libra de carne
To bait fish withal, piranha.