Você não viu no cinema

A Salon foi quem melhor repercutiu a história do roteiro nunca filmado do Kubrick que vai virar filme com a Scarlett Johansson (e que, ao contrário do que pensei ao bater os olhos na chamada, não é o de Napoleão, sobre o qual escrevi no extinto Cultura). Na quarta-feira, a revista eletrônica elencou sete roteiros escritos por intelectuais e que acabaram nunca saindo do papel.

O highlight, para mim, é o roteiro que Nabokov elaborou ainda jovem, na Berlim de 1924, e cuja sinopse dedico a Adriana Kuchler e Lucas Neves.

Chama-se “O Amor de Um Anão” e conta a história de um anão de circo sexualmente frustrado que dorme com a mulher do mágico, muda de cidade e fica oito anos esperando ela ir atrás dele. Quando a mulher enfim aparece, diz que tem um filho dele e corre para longe. O anão a segue, mas morre de ataque cardíaco aos seus pés. Depois, ela diz às testemunhas daquele momento que, na verdade, o filho havia morrido poucos dias antes (opa, desculpa, contei o final).

Em 1939, a revista Esquire publicou uma versão curta da história, chamada “The Elf Potato”. Foi a primeiro texto de Nabokov publicado nos EUA.

Os outros intelectuais citados no texto da Salon são Kasimir Malevich, Winston Churchill, Theodor Adorno e Max Horkheimer (num roteiro conjunto), Georges Bataille, Aldous Huxley e Jean-Paul Sartre. Mas daí você lê aqui.

(Não sabia como ilustrar este post, daí fui com o primeiro anão estrela de cinema que me veio à cabeça, o Peter Dinklage, de  O Agente da Estação. Só depois me lembrei que tinha também o Tatu).

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Lolitas

O vídeo acima foi um achado do designer e editor português Pedro Marques. Trata-se de Vladimir Nabokov, o autor obcecado por detalhes das edições de seus livros, num momento de descontração, analisando capas (e dando risada com esta aqui: “Não estou certo de qual dos dois parece mais velho!”, diz, ao ver a Lolita com cara de balzaca). Esbarrei nesse post via Bibliotecário de Babel, ótimo e quase xará blog português sobre literatura e mercado editorial.