A coluna da semana

[publicada no Sabático de 28/8]

BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br – O Estado de S.Paulo

CLÁSSICO
Reedição de A Comédia Humana organizada por Rónai sai em 2011

A Globo Livros coloca nas livrarias no começo do ano que vem o primeiro volume da íntegra de A Comédia Humana, de Honoré de Balzac, na celebrada tradução coordenada por Paulo Rónai (1907-1992). O projeto, que reuniu em 17 livros os 88 títulos da obra, começou a ser organizado pelo tradutor e crítico literário ainda na década de 40 e demorou dez anos para ser concluído, contando com versões de Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana e Brito Broca, entre outros. Na década de 80, a Globo fechou acordo com Rónai para revisão geral, e os títulos voltaram a ser editados, desta vez com mais de 7 mil notas de rodapé e um prefácio do húngaro naturalizado brasileiro para cada volume. O primeiro livro da edição de 1989 teve 15 mil cópias vendidas. O conjunto estava fora de catálogo havia 15 anos e, após contrato com as herdeiras de Rónai, sairá em novo projeto gráfico. A princípio, a edição ficará a cargo de Joaci Furtado – mesmo com a despedida dele da Globo Livros, anunciada na semana passada, para se dedicar a um novo trabalho.

CINEMA
Revista resgatada

Editada de 1954 a 1958 no Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais, com curta sobrevida nos anos 60, a Revista de Cinema ganhará neste ano, pela Azougue, antologia organizada por Marcelo Miranda e Rafael Ciccarini. A previsão é a de que saia em dois volumes, resgatando textos de nomes como Cyro Siqueira, Jacques do Prado Brandão e José Haroldo Pereira.

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A publicação repercutiu no País e chegou a ser reconhecida no exterior ao discutir temas como neorrealismo italiano e cinema brasileiro. Prestes a ser fechada, recebeu de Paulo Emílio Sales Gomes, no Suplemento Literário, do Estado, apelos para que não deixasse de circular. O colunista do Sabático Silviano Santiago, um dos principais articulistas da revista, assinará o prefácio.

NO BRASIL-1
Best-seller contra a maré

O americano Nicholas Sparks, que entre anjos e vampiros cavou espaço para seus romances açucarados e hoje aparece em dose dupla nas listas de mais vendidos, com Querido John e A Última Música, chega ao Brasil na primeira semana de dezembro para visitar Rio, São Paulo e Porto Alegre. Antes disso, a Novo Conceito publica outro título dele, Diário de Uma Paixão.

NO BRASIL-2
Britânico no Rio ComiCon


O desenhista inglês Kevin O”Neill, parceiro de Allan Moore na série As Aventuras da Liga Extraordinária, confirmou participação no primeiro Rio ComiCon, que ocorre durante dez dias de novembro, com exposições, palestras, oficinas, vídeos e venda de quadrinhos. Segundo a Casa 21, organizadora do evento, a vinda do italiano Milo Manara ainda depende de “pequenos acertos”.

QUADRINHOS
Nova adaptação de Dante

A Peirópolis lança em 2011 HQ de A Divina Comédia, de Dante, ilustrada a nanquim e aquarela pelo cartunista e grafiteiro Piero Bagnariol. O texto do Purgatório será o adaptado por Henriqueta Lisboa (1901-85). Outra versão em quadrinhos de A Divina Comédia, já antecipada pela coluna, será a de Seymour Chwast, pela Quadrinhos na Cia.

INTERNET
Suas estantes combinam?

Uma nova rede social, Alikewise.com, propõe-se a encontrar o par perfeito para os usuários com base no gosto literário. O criador, Matt Sherman, disse que teve a ideia ao imaginar que sua mulher ideal deveria conhecer A Lógica do Cisne Negro, livro de Nassim Nicholas Taleb sobre o improvável.

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Por enquanto, a rede só aceita usuários de países de língua inglesa. E precisa de ajustes. Em procura por Borges, localizou 13 usuários (um deles aceitava companheiras de 18 a 99 anos), mas avisou que havia “expandido a busca” para incluir títulos com alguma relação com o argentino. Na busca por Thomas Pynchon, a obra mais recorrente foi 1984, de George Orwell, prefaciada pelo autor de O Arco Íris da Gravidade.

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A coluna da semana

[publicada no Sabático de 21/8]

BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br – O Estado de S.Paulo

MERCADO
Editoras registram vendas mais expressivas na Bienal do Livro 2010

O balanço de público da 21.ª Bienal do Livro de São Paulo será anunciado amanhã, mas ao menos um resultado desta edição já foi notado por editores: o aumento no número de livros vendidos na comparação com o mesmo período do evento paulistano em 2008. O maior salto dos primeiros dias levantado pela coluna foi o da Record: 90%. A Objetiva teve crescimento de 55% e a Zahar, de 38%. Chama a atenção também o fato de, em alguns casos, o aumento ser perceptível até na comparação com a Bienal do Rio, que costuma fazer maior caixa. O estande conjunto da Companhia das Letras e da Zahar, por exemplo, teve aumento de 12% na comparação com o mesmo período do evento carioca de 2009. Mas editores, que dão brindes e descontos nas vendas, dizem que o investimento em bienais ainda não se paga financeiramente. “É ganho institucional. Ganha-se espaço na mídia e na mente do público, que vê as marcas de perto”, avalia a editora Mariana Zahar.

FICÇÃO
Novo selo no mercado

Após recuperar os 51% em ações que havia vendido em 2007 à franco-espanhola Anaya-Hachette, o grupo Escala entrará na área de ficção, não contemplada por seus selos atuais. Detentor nacional da Larousse – especializada em obras de gastronomia e interesse geral -, o grupo lança em fevereiro os títulos iniciais de sua nova marca, a Lafonte, focada em literatura contemporânea.

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A Escala não divulga o valor do investimento, mas a aposta é grande. Saem pela Larousse cerca de 100 títulos por ano; com a Lafonte, a intenção é pôr no mercado (considerando livrarias, bancas e vendas porta a porta) 400 obras em um ano. A diretora editorial Janice Florido diz já ter “autores estrangeiros conhecidos e que despontam”. Literatura nacional, só num segundo momento.

GASTRONOMIA – 1
Ciência na cozinha

On Food and Cooking, livro seminal de Harold McGee sobre ciência e culinária, publicado em 1984 e reeditado em 2004, sairá no Brasil no ano que vem pela WMF Martins Fontes. O colunista do New York Times analisa ingredientes e suas interações com o corpo e explica questões como a natureza da fome, o que ocorre quando um alimento se estraga e por que o álcool embriaga.

GASTRONOMIA – 2
Crise na culinária

Já a Zahar lança em outubro um título que deu o que falar no exterior. Em Adeus aos Escargots, Michael Steinberger mergulha em questões culturais, econômicas e políticas para decifrar o que ocorreu com a França, cujos chefs e restaurantes perderam lugar entre os mais influentes do mundo.

DIGITAL
Propaganda no e-book

Artigo no Wall Street Journal de anteontem defende a ideia de que anúncios serão inevitáveis nos e-books. O WSJ avalia que a queda no preço dos livros, combinada com o formato propício à publicidade – o e-reader pode ter anúncios sempre atualizados -, tornará essa a melhor saída para os editores. Mas o texto argumenta que o interesse dos autores em controlar o conteúdo anunciado pode originar novos impasses.

CLÁSSICOS – 1
Inéditos em coleção

Parte da tentativa do grupo Ediouro de reposicionar títulos de seu imenso catálogo, a recém-anunciada Coleção Fronteira – que sai pela Nova Fronteira com edições mais simples e preços abaixo dos R$ 30 – incluirá textos inéditos em livro. Entre eles, ainda neste ano, Mário no Cinema, reunião de ensaios de Mário de Andrade, e um volume com o teatro completo de Antonio Callado.

CLÁSSICOS – 2
Teatro brasileiro

Por falar em teatro (e em livros mais baratos), a Penguin Companhia Clássicos deve ter selo exclusivo para dramaturgia no primeiro semestre de 2011. A princípio, serão textos de peças brasileiras do século 19 e início do 20 que estejam fora de catálogo.

Colaborou Ubiratan Brasil

E a coluna da semana

[publicada no Sabático de 14/8, no Estadão]

Raquel Cozer –  raquel.cozer@grupoestado.com.br – O Estado de S.Paulo

MERCADO
Leya completa um ano com bons números em vendas

Em setembro, a portuguesa Leya celebra um ano no mercado nacional com números nada desprezíveis – foram 500 mil livros vendidos. Seu maior hit, Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, obra de estreia de Leandro Narloch, saiu sem estardalhaço em novembro e acaba de passar as 90 mil cópias comercializadas. Há 32 semanas nas listas de best-sellers, deve chegar a 100 mil antes de um ano nas livrarias. A editora prepara agora edição ampliada, com dois novos capítulos, a serem baixados de graça na rede por quem já tem o título. Em segundo lugar está O Efeito Sombra, de Depak Chopra (50 mil cópias), e em terceiro, O Morro dos Ventos Uivantes, de Emile Bronte (40 mil; capa abaixo, à esq.). O súbito sucesso do clássico se explica pela citação a ele em livro da série Crepúsculo (Intrínseca; capa abaixo, à dir.) e pelo fato de a Leya tê-lo lançado com capa similar às dos títulos sobre vampiros. A próxima aposta é em Brasil, Uma História, de Eduardo Bueno.

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PESQUISA
Pode confiar, é Millôr

Millôr Fernandes é o autor no qual os brasileiros mais confiam, segundo a pesquisa anual Marcas da Confiança, parceria da Seleções do Reader”s Digest com o Ibope Inteligência. Ele foi eleito por 73% de 1.500 pessoas que preencheram questionário na internet. Dez nomes eram sugeridos aos votantes. Em 2009, venceu Drauzio Varella.

EUA E RIO
Mais Lionel em 2011

So Much For That, de Lionel Shriver, sai em 2011 pela Intrínseca. Elogiado pelo humor e pela delicadeza com que aborda a vida de uma paciente de câncer, a obra narra a realidade do atendimento médico nos EUA, onde foi lançada em março, quando Obama assinou a reforma no sistema de saúde.

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Após participar da Flip, Shriver ficou no Rio até quinta. Não quis visitar Pão de Açúcar nem Corcovado. Preferiu ir à Feira de São Cristóvão e às favelas Pavão Pavãozinho e Chapéu Mangueira. Diz ter interesse na questão da migração para grandes cidades.

VENDAS
Best-sellers em Paraty

Ao contrário de 2009, quando títulos de convidados da Flip logo se esgotaram no estande da Livraria da Vila em Paraty, neste ano as editoras enviaram bons estoques para o evento. A campeã em vendas foi Isabel Allende, com 400 cópias de A Ilha Sob o Mar. Em segundo, ficou Azar Nafisi, com 350 exemplares de Lendo Lolita em Teerã.

INFANTIL
John Boyne para menores

Noah Barleywater Runs Away, livro em que John Boyne volta à literatura infantil após O Menino do Pijama Listrado (2006) e que sai só em setembro no exterior, foi comprado pela Companhia das Letras. Boyne estará na Bienal do Livro amanhã e depois. Na segunda, ainda dá autógrafos na Saraiva do shopping Pátio Higienópolis.

MÚSICA
Sob controle dos Stones

Escrito por Bill German, fã que editava um fanzine sobre os Stones e conviveu de perto com eles de 1985 a 1989, Under Their Thumb foi comprado pela Nova Fronteira. O subtítulo explica: “Como um bom garoto do Brooklyn se misturou com os Rolling Stones (e viveu para contar a história).”

REVISTA
Discurso em nova casa

Criada em 1970 como instrumento de resistência à ditadura, a revista Discurso, da Filosofia da USP, passará a sair pela Barcarolla, em parceria com a Discurso Editorial. E será agora semestral, em vez de anual. O número 39, que chega em setembro, terá ensaio de Jean Galard, ex-diretor do Louvre, e poemas de Ruy Fausto, entre outros textos.

BÍBLIA
Mergulho na fé

A Sociedade Bíblica do Brasil acaba de lançar o Novo Testamento à Prova d”Água, cujas páginas, impermeáveis, permitem que a “Palavra de Deus seja lida em qualquer lugar – na praia, à beira da piscina, na chuva e até durante a prática de mergulho”. O curioso é que ao mesmo tempo sai pela SBB nova edição da Bíblia do Surfista, cujo papel não resiste a uma entrada no mar.

Com muito atraso, a coluna de 7/8

Opa. Tinha esquecido de postar aqui a coluna do sábado passado, apurada em meio a pedras de Paraty e a uma gripe interminável (que completa hoje 11 dias, um recorde na história dessa imunidade que não tenho). Algumas notícias aí já estão velhinhas, como a do Google, mas, se consola, elas eram brand new no sábado.

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BABEL

Raquel Cozer, raquel.cozer@grupoestado.com.br – O Estado de S.Paulo

Ediouro quer apresentar “nova cara” até o fim do mês

Há dois meses acumulando função de publisher da Nova Fronteira e da Agir, Leila Name corre para apresentar até o fim do mês a “nova cara” dos selos do grupo Ediouro – a meta é, depois da Bienal do Livro, mostrar um desenho do que cada marca do grupo passará a publicar. “Temos pressa de concluir um projeto editorial. O grupo vai bem e queremos passar essa informação ao mercado”, disse à coluna. Por enquanto, o que o mercado viu foi enorme expansão, com a compra de editoras, seguida de indefinições e da saída de nomes como Izabel Aleixo (Nova Fronteira) e Paulo Roberto Pires (Agir e projetos especiais). O último revés foi o pedido de demissão de Carlo Carrenho, nesta semana. Até meses atrás, ele era publisher da Ediouro e da Thomas Nelson. Como os títulos do grupo estão sendo redivididos entre os selos e os que sairão como Ediouro são incógnita, o carro-chefe do grupo tinha saído do comando de Carrenho, que estava só com a Thomas Nelson. Em Paraty para a Flip, de folga, disse que se dedicará ao Publishnews, do qual é dono.

RELIGIÃO
Ateísmo “simplista”

O livro sobre o qual Terry Eagleton fala hoje na Flip, Reason, Faith and Revolution, já tem dono no Brasil. Assim como Why Marx Was Right, sai pela Nova Fronteira em 2011. Em Reason…, que reúne aulas ministradas na Universidade de Yale, o crítico cultural materialista questiona o racionalismo defendido por Richard Dawkins e Christopher Hitchens, avaliando como “simplista” o radicalismo com que defendem o ateísmo.

SUSTO 1
Como se fosse Teerã

A iraniana Azar Nafisi (foto), outra convidada do evento literário, levou um susto ao ouvir o estalido de bombinhas com as quais as crianças brincavam na praça do centro histórico de Paraty, perto da Flipinha. “Puxa, nasci em Teerã, as pessoas não deviam ficar estourando coisas perto de mim.”

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Envolvida na luta pela libertação da iraniana Sakineh, condenada à morte por apedrejamento, Nafisi admite que gostaria de poder falar menos de política e mais de literatura. Não por acaso, a autora, que vive em Washington, agora escreve o livro Republic of Imagination, sobre como a literatura “pode ser o lar de quem não tem mais um lar”.

SUSTO 2
Amor, mas só no papel
A Bienal do Livro destacou em seu material de divulgação três mesas do Salão de Ideias sobre o livro digital, um dos temas da edição. Uma delas pegou Ana Maria Machado de surpresa. Anunciada em debate sobre “o romance fora da página”, que questionaria “para onde vai a subjetividade do escritor e do leitor”, a autora disse que não era bem assim – falará, sim, sobre amor e literatura, mas nada de digital. A organização informou que o material seria corrigido.

HISTÓRIA
Musas do teatro musical
A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo prepara para outubro o livro Grandes Vedetes do Brasil, com verbetes biográficos sobre 41 mulheres que fizeram a história do teatro musical brasileiro desde o século 19, pontuando sua relevância social e artística. O prefácio é de Silvio de Abreu.

INTERNET
Todos os livros do mundo
O Google pode não ter ainda digitalizado todos os livros do mundo, como prometeu, mas divulgou o que, segundo a empresa, é a quantidade de títulos existentes: 129.864.880. Sem confiar na catalogação do ISBN, preferiu coletar dados de fontes como livrarias, catálogos nacionais e fornecedores comerciais (explicação em http://bit.ly/googleb). Resta ver quem checará a conta.

ASSÉDIO
Conteúdo digital
Escritores como Marcelo Rubens Paiva vêm sendo sondados por editoras que formarão um pool com a Livraria Cultura para o lançamento de suas obras em conteúdo digital. Como não sabem ainda de que modo negociar os direitos, os autores pretendem se reunir para tratar do assunto.

A coluna da semana

[publicada no Sabático de 31/7; disponível também no Estadão.com]

BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br – O Estado de S.Paulo

CINEMA
Um modernista em 1.500 páginas, mas sem editora

Uma compilação de quase 3 mil crônicas escritas pelo crítico de cinema, poeta e ensaísta Guilherme de Almeida (1890-1969) está há quase uma década em busca de editora. Organizado ao longo de 20 anos pelo editor Frederico Ozanam Pessoa de Barros, hoje com 82 anos, o livro Cinematógrafos esbarra numa questão logística que já levou editoras interessadas a desistirem do investimento: o volume tem 1.500 páginas, e Barros, amigo e biógrafo de Almeida, não abre mão de publicá-lo na íntegra. Além dos textos que o modernista publicou no Estado de 1926 – quando foi convidado a assinar seção dedicada à crítica cinematográfica – até o início dos anos 40, o livro inclui fichas técnicas de todos os filmes sobre os quais escreveu. “Mais que crítico, foi o primeiro grande cronista de cinema do período. Seus textos registram aspectos da cultura de uma época em que ir ao cinema era quase como ir a uma festa”, diz Barros.

TRADUÇÃO
O primeiro romeno

O selo Amarilys, da Manole, prepara a tradução direta do romeno de O Retorno do Hooligan, romance em que Norman Manea relata sua primeira visita à Romênia após a queda do regime Ceausescu. O escritor, que vive em Nova York, relembra o fascínio pelo comunismo, a perseguição e a liberdade no exílio, junto a amigos como Philip Roth.

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Será a primeira tradução de Manea no País, a cargo da romena naturalizada brasileira Eugênia Flavian. E também a primeira direta do idioma a sair pela Manole – cujo fundador, Dinu Manole, nasceu na Romênia. A editora também tem os direitos de The Bunker, do autor, sobre o 11 de Setembro.

DIGITAL
Wylie e a tradução

A agência Wylie, que passará a publicar e-books de seus autores nos países de língua inglesa, é também a única grande que se recusa a vender direitos digitais de traduções num momento em que editores exigem cláusulas sobre publicação eletrônica.

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A Benvirá, por exemplo, não sabe se poderá lançar os e-books dos recém- negociados Tetralogia da Fertilidade, de Yukio Mishima, e Solo, de Rana Dasgupta. Incluiu cláusula para que seja a primeira opção caso a Wylie queira negociar os direitos. A Record, que publica Colum McCann e Azar Nafisi, da agência, avalia que terá de parar de negociar se a Wylie resistir na questão, a não ser que se comprometa a não vender direitos a outros ou explorá-los diretamente.

BOLSA
Um ano na Alemanha

Finalista do Prêmio SP de Literatura, que sai na segunda, Bernardo Carvalho não deve lançar outro romance tão cedo. O autor de O Filho da Mãe ganhou uma bolsa da instituição de intercâmbio Daad. A partir de março, passará um ano em Berlim como artista residente, seguindo passos de nomes como Rubem Fonseca e João Ubaldo Ribeiro.

CASA NOVA
Mudanças no catálogo

Após breve passagem pela Cosac Naify, Izabel Aleixo assume a direção editorial da Paz e Terra com a meta de garimpar obras de “maior apelo” e “dar uma reduzida” no catálogo de 1.200 títulos, organizando coleções. Para o selo Argumento, que em cinco anos teve só nove títulos, a meta é levar mais ficção contemporânea internacional e abrir portas para a nacional. Por 12 anos, na Nova Fronteira, Izabel lançou alguns dos maiores hits da década, como O Caçador de Pipas.

CINEMA
Chanel e Stravinski


A Larousse lança Coco Chanel e Igor Stravinski, do inglês Chris Greenhalgh. A obra aqui sai na esteira do filme homônimo, exibido no Festival de Cannes 2009 e que, protagonizado por Anna Mouglalis, retrata um caso entre a estilista e o compositor.

QUADRINHOS
Baleia multimídia

Um teaser de animação será criado pelo Estúdio Birdo para divulgar Cachalote, de Rafael Coutinho e Daniel Galera, lançada em junho pela Quadrinhos na Cia., com 800 exemplares vendidos até agora. O vídeo será lançado dia 4/9, quando a Choque Cultural abre mostra com originais e pôsteres da HQ.

A coluna de 24/7

[Publicada no Sabático]

BABEL

Raquel Cozer, raquel.cozer@grupoestado.com.br – O Estado de S.Paulo

INFANTIL
Saem 100ª edição do Maluquinho e novo Ziraldo, com realidade aumentada


A Melhoramentos decidiu fazer tiragem especial “bem pequena” da 100.ª edição de O Menino Maluquinho, a ser lançada na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, quando a companhia celebra 120 anos de história. Serão 2 mil cópias para Ziraldo e a editora distribuírem a pessoas próximas. Neste caso, o livro terá capa redesenhada pelo autor e, nas orelhas, depoimentos de gente como Martinho da Vila e Ferreira Gullar. Já a tiragem para o público terá 10 mil exemplares – a obra, que completa 30 anos, já vendeu 2,8 milhões de cópias. Ziraldo também lança O Menino da Terra, primeiro infantil nacional com jogo de realidade aumentada, no qual a criança usa o livro como joystick na frente da webcam.

LIVRARIAS
Distribuição desigual

O número de livrarias no Brasil cresceu 11% em três anos, totalizando 2.980, mas o aumento veio acompanhado de distribuição mais desigual das lojas pelo País, segundo a Associação Nacional de Livrarias. O Sudeste, que tinha 53% das livrarias nacionais em 2006, passou a 56% – a população da região corresponde a 42,5% da nacional. Já no Nordeste, com 28% da população brasileira, a proporção de livrarias caiu de 20% para 12%.

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O levantamento refere-se a 2009 e integra o Diagnóstico do Setor Livreiro, que a ANL divulgará nesta terça-feira, em São Paulo, e discutirá a partir do dia 9 na 20.ª Convenção Nacional de Livrarias.

LITERATURA CUBANA
O nada e o todo

Quinze anos depois de lançar O Nada Cotidiano, sobre sua vida em Cuba, a exilada Zoé Valdés publica em setembro na Europa a sequência da obra, O Todo Cotidiano, no qual fala da vida da França. Aqui, o primeiro livro saiu em 1998 pela Record. No começo do ano que vem, a Benvirá será a primeira editora a juntar os dois títulos num só volume.

CONTOS
Teatro de sombras


A L&PM comprou e mandou fotografar marionetes de teatro de sombra chinês (foto) para ilustrar o infantil Contos Sobrenaturais Chineses, de Sergio Capparelli e Márcia Schmatz. O livro deve sair no fim de setembro.

GUERRA
Depois da televisão

A Bertrand Brasil comprou os direitos do livro The Pacific, de Hugh Ambrose, que originou a série da HBO sobre fuzileiros navais na 2.ª Guerra. Produzida por Tom Hanks e Steven Spielberg, a minissérie teve 24 indicações para o Emmy, que será entregue em 29/8. O problema agora é correr com a tradução das mais de 500 páginas. Com sorte, sairá no primeiro trimestre de 2011. O último episódio foi exibido no Brasil em junho.

DIGITAL
Cabo de guerra

A Random House, maior editora do mundo, anunciou que não fará novos acordos com o mega-agente literário Andrew Wylie. Foi a resposta ao anúncio de Wylie de que negociará direitos digitais de autores direto com as lojas. Wylie criou para isso a Odyssey Editions, que dará dois anos de exclusividade à Amazon, vendendo a US$ 9,99 títulos como os quatro Coelho, de John Updike, cujos direitos de edição impressa são da Random.

MÚSICA
Lou Reed em liquidação

A Livraria da Vila encomendou cem exemplares de Pass Thru Fire – The Collected Lyrics, de Lou Reed, no embalo da Flip. Como o músico não vem mais, a baixa foi imediata: de R$ 49, o livro importado sairá por R$ 39. A Companhia das Letras vende o título traduzido, Atravessar o Fogo, por R$ 51,50.

A coluna Babel da semana (passada)

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[Publicado no Sabático de 17/7]
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BABEL
Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br – O Estado de S.Paulo

Jovem editora carioca aposta no Leste Europeu
A jovem editora Tinta Negra – lançada neste ano e cujo catálogo conta com apenas oito títulos, sete deles nacionais – faz uma aposta agora em obras doLeste Europeu premiadas e elogiadas em vários países, mas cujos autores são pouco ou nada conhecidos por aqui.  O investimento engloba textos clássicos e contemporâneos, de ficção e não-ficção e HQs.  Entre os previstos para sair em 2010 está Máfia, reportagem sobre os bastidores do crime organizado italiano realizada pela alemã Petra Reski.  Ainda sem título em português, Bieguni (Runners) apresentará ao público brasileiro a polonesa Olga Tokarczuk, três vezes vencedora em seu país do Prêmio Nike de Literatura. Nos quadrinhos, a aposta é no designer e escritor alemão Flix, autor da premiada graphic novel de reportagem Da War Mal Was (o título provisório em português é Quando Tinha um Muro…  Lembranças Daqui e de Lá).  O autor, de 34 anos, virá ao País neste ano a convite do Goethe-Institut, para uma série de eventos, mas o livro sai por aqui só no começo do ano que vem.
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INTERNET
Aulas com Faulkner
De 1957 a 1958, já detentor do Nobel de Literatura (1949), William Faulkner foi escritor-residente da Universidade de Virgínia, nos EUA.  Pouquíssimos alunos tiveram chance de assistir às suas palestras e leituras. Recém-digitalizadas, as sessões agora podem ser ouvidas em faulkner.lib.virginia.edu.
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O site inclui textos e cartoons (acima) de publicações locais no período, além de fotos e cartas.  Numa delas, o criador de O Som e a Fúria responde ao convite para falar aos alunos: “Meu primeiro pensamento foi que eu era só um escritor-residente, não um palestrante-residente, (…) mas talvez seja meu dever (…) tentar dizer algo válido.”
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CINEMA 1
Filho multimídia
Um mês após o anúncio de sua adaptação teatral, O Filho Eterno, romance nacional mais premiado de 2008, teve os direitos comprados para o cinema.  A obra de Cristovão Tezza será adaptada pela RT Features.
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CINEMA 2
Vida eterna
Para quem acredita que a onda de livros de vampiros vai amainar, indícios recentes provam o contrário: a Terra dos Vampiros, lançado pela Planeta, será adaptada para as telas por John Carpenter, diretor de filmes de terror
cult como Halloween (1978).  O papel principal será de Hilary Swank.
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E outro que ainda nem saiu por aqui, A Passagem, de Justin Cronin, teve os direitos comprados pela Fox, que deixou o roteiro aos cuidados de John Logan (Oscar por O Gladiador).  O título abre uma trilogia que a Sextante põe nas
livrarias a partir de agosto.
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JUVENIL
Ao redor do mundo
Adriana Lisboa assinará os textos de A Volta ao Mundo em 190 Histórias, coletânea da Rocco organizada por Celina Portocarrero.  A série, para o público juvenil, recuperará lendas de todo o mundo.  O primeiro título, previsto para janeiro, será dedicado à África.  Depois, virão Europa, Ásia e Américas.
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A autora acaba de entregar à editora os originais de Azul-Corvo, romance adulto que parte de pesquisa sobre a Guerrilha do Araguaia para narrar a trajetória de um ex-combatente que se torna imigrante nos EUA.
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REVISTA
Número cinco
A quinta edição da quadrimestral serrote, que sairia neste mês, ficou para agosto, por conta da Flip.  Destaca-se a série de ilustrações da israelense Maira Kalman, autora de livros infantis e capista da New Yorker.  Os desenhos foram feitos para edição especial do clássico manual The Elements of Style, à exceção de um serrote desenhado especialmente para a publicação do Instituto Moreira Salles.
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QUADRINHOS
Filosofia pop
A Desiderata garantiu os direitos da graphic novel Nietzsche – Se Créer Liberté.  Com texto de Michel Onfray e arte de Maximilien Le Roy, a biografia vem sendo considerada na Europa a melhor HQ do ano.