Papai, o que você fez pelas bibliotecas?

O consultor de internet inglês Philip Bradley tem usado o tempo livre para adaptar antigos pôsteres de modo que se encaixem na campanha Save Libraries. Partiu do clássico “Seu país precisa de você”, que virou “Sua biblioteca precisa de você”, e daí foi evoluindo a ideia em outros cartazes cujas imagens estivessem em domínio público, com destaque para vários da Primeira e da Segunda Guerra.

A pesquisa trouxe à tona curiosidades: os pôsteres da Primeira Guerra, por exemplo, costumavam destacar a responsabilidade individual e o sentimento de vergonha das pessoas, caso de um em que a menininha, no colo do pai, perguntava: “Papai, o que você fez na Grande Guerra?”.  Os da Segunda Guerra, por sua vez, estimulavam a força coletiva. Ele explica em detalhes aqui, em inglês.

Seguem abaixo algumas das imagens que achei mais bacanas. Destaque para o “Eu, viajar?”, o quarto pôster, uma orientação para que as pessoas passassem as férias em casa em vez de gastar gasolina dirigindo por aí, e para o “Esqueça a culinária”, em que, na verdade, em vez de uma pilha de livros, a mulher carregava potes de comida, numa campanha pela economia de alimentos.

Ah, se tivessem usado todo esse empenho em nome da leitura…

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Aqui tem mais algumas imagens.

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A coluna da semana

[Publicado no Sabático de 29/1]

BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br

BIOGRAFIA
Henri Matisse por trás da pintura

Matisse: The Life, de Hilary Spurling, a mais importante biografia sobre o francês (1869- 1954), chega às livrarias no segundo semestre pela Cosac Naify, que já lançou dois livros relacionados ao pintor, Matisse: Escritos e Reflexões sobre Arte (2007, textos dele) e Matisse: Imaginação, Erotismo e Visão Decorativa (2009, textos sobre ele). Publicada originalmente em dois volumes, em 1998 e 2005, reunidos em 2009 na edição que sai agora no País, a obra resultou de 15 anos de pesquisas e rendeu à autora o Prêmio Whitbread. Nela, Hilary sustenta que, apesar de ter largado a mulher (pintura 1, abaixo.), aos 70, pela jovem modelo Lydia Delectorskaya (pintura 2), Matisse teve com esta só uma relação platônica, e que por trás de sua arte tranquila vivia um homem profundamente angustiado.

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ROMANCE
Estreia celebrada

Ex-cameraman, operador de telemarketing, segurança, investigador e professor de inglês, o australiano Steve Toltz, de 38 anos, chegou à final do Man Booker Prize 2008 logo com o primeiro livro, A Fraction of the Whole. Perdeu para outra estreia, O Tigre Branco, de Aravind Adiga, mas arrebatou a crítica, do sério Observer ao popular site Ain”t It Cool, que resumiu: “É um exemplo colossal de como a ficção pode ser boa”.

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E bote colossal nisso: Uma Fração do Todo, previsto para o final de abril pela Record, trata da relação entre um rapaz temperamental, Jasper Dean, e seu pai, Martin, em várias camadas narrativas ao longo de cerca de 600 páginas.

MEMÓRIAS
A formação de Milosz

A autobiografia que o Nobel de Literatura Czeslaw Milosz (1911-2004) publicou em 1959, oito anos após o início de seu exílio em Paris, sai em agosto pela Novo Século. Em Reino Nativo, o polonês desfia seus aprendizados morais e intelectuais da infância aos 40 anos, oferecendo ao Ocidente um retrato à época inimaginável da vida num Leste Europeu massacrado pelos conflitos da primeira metade do século 20.

CLÁSSICO
De volta ao Tempo Perdido

Um alento para quem começou a colecionar as reedições de Em Busca do Tempo Perdido pela Globo Livros, em 2006. Após lançar quatro volumes nos primeiros dois anos, e nenhum no terceiro e no quarto, a editora promete seguir com as publicações. O quinto título, A Prisioneira, está previsto para março, e o sexto, A Fugitiva, também deve sair ainda neste ano.

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Nesse ritmo, pode ser que a editora tenha os sete reeditados antes de a Companhia das Letras iniciar os lançamentos de sua tradução, por Mario Sérgio Conti, em 2012.

FUTURO DO LIVRO – 1
Enfim, um outro olhar

Depois de tanto ouvirem ladainhas de editores e jornalistas sobre o futuro do livro, os americanos Jeff Martin e C. Max Magee resolveram consultar quem escreverá os livros do futuro. O resultado, The Late American Novel, sai em março nos EUA, com ensaios de nomes que despontaram em tempos de e-readers, a exemplo de Reif Larson (O Mundo Explicado por T.S. Spivet, da Nova Fronteira, que neste ano terá versão interativa em iPad nos EUA) e Benjamin Kunkel (Indecisão, da Rocco).

FUTURO DO LIVRO – 2
Work in progress

Você compraria um livro com a promessa de receber o final só daqui a algumas semanas? Há um assim à venda desde quarta na Amazon e na Barnes&Noble. Maravilhas do e-book: oferecido só para Kindle, Final Jeopardy, de Stephen Baker, narra o esforço da IBM para desenvolver uma máquina capaz de vencer o melhor jogador de Jeopardy, espécie de Show do Milhão dos EUA. Acontece que a batalha final homem vs. máquina, já gravada e mantida a sete chaves, vai ao ar só mês que vem.

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Assim que o programa de TV for exibido, a editora liberará o desfecho do livro digital, com a análise da partida. A versão impressa será vendida, na íntegra, a partir de então.

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Teste do Jeopardy, com os dois concorrentes, e, no meio, todo pimpão, o computador Watson, representado por um globo brilhante. No teste, Watson levou a parada (Foto de Seth Wenig/AP)

Novos clássicos em quadrinhos

Há tempos estava querendo escrever sobre o mercado em expansão dos quadrinhos, mas não tinha ideia de como levantar essa lebre, já que a expansão em si vem ocorrendo já faz alguns anos. Daí ouvi falar na intenção da Companhia das Letras de começar a lançar adaptações literárias pelo selo Quadrinhos na Cia e, juntando isso com o tanto de clássicos em quadrinhos que chegaram na redação em 2010, achei que tinha pano pra manga.

Falei com tanta gente que muita coisa teve de ficar de fora, inclusive a boa contextualização feita pelo Guazzelli, que além de quadrinista é mestre em comunicação e estudioso da história de HQs. Entre outras coisas, o fato de os quadrinhos terem até influenciado o cinema em sua origem; a força da Editora Brasil-América Ltda (Ebal) no segmento de adaptações em décadas passadas; e a diferença das atuais adaptações em relações àquelas (porque as da Ebal eram quadradas, “amarradas”, nas palavras dele, na comparação com as características mais ousadas das atuais).

Taí o texto, publicado no Sabático de hoje.

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Imagem de Os Sertões, de Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa

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Com o crescimento da adoção por escolas públicas e particulares, editoras investem em adaptações para HQ de clássicos da literatura

Raquel Cozer – O Estado de S. Paulo

Clara dos Anjos, a personagem-título do último romance escrito pelo carioca Lima Barreto (1881-1922), demorou décadas para tomar forma. Nasceu numa versão rascunhada em 1904 e ficou de lado até 1921, quando o autor decidiu retomar a história, concluída no ano seguinte e publicada mais de duas décadas depois, em 1948. Em julho próximo, uma quarta etapa desta lenta evolução chegará às livrarias pela Companhia das Letras. Trata-se da versão em quadrinhos roteirizada por Wander Antunes e ilustrada por Marcelo Lélis, e que sinaliza uma forte entrada da editora numa disputa cada vez mais acirrada: a de adaptações de clássicos da literatura, especialmente a brasileira, com o objetivo de adoção por escolas das redes pública e privada.

Com duas adaptações traduzidas previstas para este semestre – A Divina Comédia, de Dante, por Seymour Chwast, e Na Colônia Penal, de Franz Kafka, por Sylvain Ricard-Mael -, o selo Quadrinhos na Cia está em negociações com artistas e escritores para outras versões de obras nacionais, segundo o editor André Conti: “Há mais projetos em andamento. Um selo tem que ser saudável, e uma das maneiras de um selo ser saudável é ter livros para adoção em escolas.”

Por saúde, entenda-se retorno financeiro. Embora o selo de HQ da editora paulistana tenha emplacado grandes lançamentos desde 2009, quando foi criado, a venda para o governo é garantia de tiragens até dez vezes maior que as usuais, estas em torno de 2 mil ou 3 mil exemplares. Além disso, obras baseadas em clássicos da literatura têm mais chance de serem escolhidas para uso em escolas particulares – o que garante as vendas de tiragens inteiras, mesmo que não tão grandes quanto as adquiridas pelo governo.

Não que quadrinhos com roteiro original também não venham sendo beneficiados pelo Programa Nacional de Biblioteca da Escola (PNBE), que selecionou 38 títulos em HQ ou imagem dentre os 300 a serem distribuídos para uso em aula neste ano. Os eleitos incluem adaptações como O Guarani e O Cortiço (Ática), mas também as sagas de heróis Necronauta (HQM), de Danilo Beyruth, e Demolidor, o Homem sem Medo (Panini), de Frank Miller e Romita Jr.

Mas, num momento em que o gênero apenas começa a superar o que o quadrinista Eloar Guazzelli define como preconceito histórico, as HQs derivadas de clássicos assustam menos por envolverem literatura. “Elas formam um caldo de cultura em que as crianças crescem e ampliam horizontes”, avalia o autor, que já adaptou O Pagador de Promessas (Agir), de Dias Gomes, A Escrava Isaura (Ática), de Bernardo Guimarães, e Demônios (Peirópolis), de Aluísio Azevedo.

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O Pagador de Promessas, de Guazzelli

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Embora o PNBE tenha sido instituído em 1997, HQs só passaram a ser adquiridas para uso em sala de aula em 2006. A possibilidade de venda para os governos federal e estadual levou editoras a prestar atenção nesse nicho.

Foi no ano passado que se tornou notável o número de adaptações em quadrinhos. A Companhia Editora Nacional, que entrou nesse mercado em 2005, publicou em 2010 sete de seus 15 títulos do gênero. A DCL, após o sucesso de Domínio Público (2008), com versões de vários autores, comprou no ano passado uma coleção com sete clássicos e criou o selo Farol HQ, disponibilizando, entre outros, Robinson Crusoé e Moby Dick – só este último teve 25 mil cópias distribuídas para escolas públicas e 9 mil para livrarias e colégios particulares. Para 2011, a editora prevê 12 publicações do gênero, incluindo suas primeiras adaptadas por artistas brasileiros.

“A aceitação de HQs na escola é fenômeno novo. Três anos atrás, ouvia-se que era melhor investir em prosa. Hoje é possível lidar com essa linguagem diferente. Quando o governo validou os quadrinhos, as escolas particulares passaram a rever seus conceitos”, diz Daniela Padilha, editora da DCL. “Muitas vezes, os professores é que perguntam se não vamos lançar tal título, e então avaliamos.”

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O Alienista, de Fábio Moon e Gabriel Bá

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Responsável pela publicação de um dos maiores sucessos dessa tendência – O Alienista, com ilustrações e roteiro de Fábio Moon e Gabriel Bá, vencedor do Prêmio Jabuti de livro didático ou paradidático em 2008 e hoje com quase 100 mil exemplares vendidos -, o Grupo Ediouro amadureceu o método de produção. “Começamos com o trabalho de adaptação e preparação de texto dentro de casa. Analisamos com muito cuidado o texto, para que não perca o ritmo nem o estilo, e até a pertinência do tema em aula”, diz a diretora editorial Leila Name.

Para este ano, o grupo prepara seis títulos, a começar por Pedro Mico, de Antonio Callado, para maio. Outros três, de autores contemporâneos e com os quais o público mais jovem já se identifica, também prometem virar sucesso: Morangos Mofados e Onde Andará Dulce Veiga, de Caio Fernando Abreu, e Mandrake, de Rubem Fonseca. “O formato renova o público leitor. Tem garotada lendo Machado de Assis com mais entusiasmo. Uma leitura difícil como Os Sertões torna-se mais palatável”, diz Leila, referindo-se à adaptação de Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa que chegou às livrarias no fim de 2010.

É justamente o discurso de porta de entrada para a literatura o que mais alimenta críticas contra as adaptações. “Não acredito que alguém vá ler Dom Casmurro só porque leu Machado em quadrinhos antes. O sujeito vai se sentir desobrigado a ler”, diz Thales Guaracy, diretor editorial de ficção e não ficção da Saraiva, responsável pelos selos Benvirá, Caramelo e Arx, que, no ano passado, publicou Frankenstein e Histórias de Poe. “Não foi um grande negócio. Não vamos fazer mais”, diz.

Para o professor de literatura brasileira da USP Alcides Villaça, a questão é mais simples. “Literatura e quadrinhos são formas narrativas diferentes, linguagens que têm valor em si mesmas.” Villaça é a favor do uso de HQs em aulas, mas não como substituições às obras, e sim dialogando com elas. “Não gosto da ideia de “porta de entrada”. O professor deveria definir o âmbito das linguagens, respeitando ambas.” A argumentação é simples: na literatura, a articulação verbal é fundamental, enquanto na HQ ela não é central. Usar uma no lugar da outra seria, então, como exibir em sala de aula um filme baseado numa obra e acreditar que os alunos estão dispensados de ler o livro.

James Ellroy na Flip

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O escritor norte-americano James Ellroy aceitou convite para participar da nona edição da Flip, que acontece em julho. Ele deve vir lançar o livro Sangue Errante (Record), que  fecha a trilogia do submundo americano, formada pelo Tablóide Americano e 6 Mil em Espécie. Os dois primeiros títulos da série ganharão versão em bolso a tempo da Festa Literária Internacional de Paraty.

A Record também adquiriu os direitos da autobiografia The Hilliker Curse: My Pursuit of Women, que deve ser lançada no ano que vem. O autor de policiais é mais conhecido pelos romances que originaram os filmes Dália Negra e Los Angeles – Cidade Proibida.

A organização da Flip reconhece que recebeu email com resposta afirmativa da agente do autor, mas ainda não confirma sua vinda.

Humor à moda antiga

Porque o conceito de graça varia conforme o ponto de vista.

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Do Chainsawsuit. Vi no Geekosystem.

Cidade fictícia, mas real

[publicado no Caderno 2 de 25/1]

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Em Entre Assassinatos, Aravind Adiga mostra dramas da sociedade na Índia

Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo

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Kittur é uma cidade localizada entre Goa e Calcutá, ali na beirada do mar Arábico, e que, pelas paisagens e riquezas históricas, merece no mínimo uma semana de atenção do turista interessado em conhecer o sudoeste da Índia. A partir dessas informações, é importante para o leitor saber também que Kittur é uma localidade fictícia, cenário inventado pelo escritor Aravind Adiga para interligar os contos de seu mais recente livro, Entre Assassinatos. Mas uma cidade que, por sua diversidade de religiões, raças e línguas, poderia ser qualquer outra no país.

É assim, como destino turístico, que a cidade-personagem é apresentada no volume pelo premiado escritor de 36 anos, destaque da atual literatura indiana. Após recomendar a estadia de uma semana no local, Adiga passa a descrever como podem ser aproveitados esses sete dias, em trechos no estilo de um guia turístico que aparecem intercalados com os contos propriamente ditos. Entre uma e outra história, ficamos sabendo, por exemplo, que o local tem 193.432 habitantes segundo o mais recente censo, dos quais apenas 89 declaram não ter religião ou casta.

“A sobreposição do guia turístico em relação aos contos é em parte funcional, já que nos ajuda a ver essa cidade, e em parte irônica, porque as histórias contadas são sempre mais sombrias do que o tom claro dos parágrafos introdutórios poderia sugerir. Foi uma tentativa de explorar a diferença entre as versões oficiais da história do que realmente acontece em uma cidade”, afirma, em entrevista ao Estado por e-mail, o autor que, em 2008, venceu o prestigioso Man Booker Prize por seu romance de estreia, O Tigre Branco.

Embora tenham sido publicados bem depois do livro que tornou Adiga conhecido, os contos de Entre Assassinatos surgiram de forma simultânea à história do romance. “Muitos dos temas de O Tigre Branco estão presentes nos contos, de formas diferentes. Por exemplo, no conto em que o chofer de uma madame que, para mudar de vida, está tentado a cometer um crime”, diz.

A diferença maior está nos períodos em que transcorrem as histórias. Os assassinatos a que se refere o título da coletânea de contos são os dos líderes indianos Indira Gandhi, em 31 de outubro de 1984, e seu filho Rajiv Gandhi, em 21 de maio de 1991. É uma fase anterior à da abertura da economia da Índia, que aconteceu no ano do segundo crime, de modo que refletem os desafios da população na era socialista. A narrativa de O Tigre Branco se passa nos dias atuais, de capitalismo consolidado.

“A Índia hoje é muito diferente da velha Índia socialista da era pré-1991. No entanto, se as histórias são boas, o leitor deve sentir como se fossem atuais. Os leitores na Índia responderam bem aos contos, então devem sentir que são histórias ainda relevantes para o que eles vivem hoje.”

Castas e religiões. Os personagens apresentados em Entre Assassinatos têm em comum, na maioria dos casos, uma vontade intrínseca de mudar de vida, que esbarra em tanto em barreiras sociais quanto psicológicas – sempre descritas com a característica ironia do autor.

Um exemplo é a história do menino Ziauddin, no conto que abre o livro. Muçulmano, o garoto batalha para se firmar profissionalmente num bairro de maioria hindu, mas não resiste a pequenos deslizes que comprometem seu discurso de que “muçulmanos não fazem safadeza”. E, no entanto, é justamente um momento de reflexão que o coloca num dilema quando, enfim, alguém o trata com o respeito que ele tanto acredita merecer.

Conceitos estabelecidos localmente sobre as diferentes castas e religiões, aliás, movem a maior parte dos contos. Em outra história, uma velha cozinheira virgem de origem brâmane, a casta mais alta da sociedade, tenta mostrar para o patrão que tem mais valor que a jovem empregada de origem hoyka, casta desfavorecida à qual pertence a grande maioria da população: “Não sou eu quem está fazendo barulho, patrão: é aquela menina hoyka. Ela não conhece os nossos modos brâmanes!”, argumenta, a certa altura.

Apesar da forte crítica social que desfia ao longo das narrativas, Adiga destaca o caráter democrático da Índia, onde a população pode expressar por meio do voto a raiva e o sentimento de injustiça alimentados pelo cotidiano. “Para mim, o evento-chave que mostra essa força da democracia foi a derrota do governo em Délhi, nas eleições gerais de 2004. Num momento em que a economia estava crescendo, o governo perdeu de forma inesperada. Foi um sinal claro de que a maioria dos indianos não estava se beneficiando do tão falado boom econômico. Isso forçou os políticos a prestar atenção aos pobres.”

Mas ele admite que não só o governo tende a esquecer a pobreza. Até o início da vida adulta, conta, conheceu apenas personagens como aqueles de classe média retratados no livro. “Só fui conhecer a realidade dos pobres depois que me tornei jornalista. Até então, eles eram pessoas invisíveis: meus serviçais e cozinheiros.”

Estante pra sentar e ler

E essa estante, hein?

Que na verdade é uma mesa com cadeira…

…ou melhor, com duas cadeiras!

Vi no SwissMiss, com design da Campeggisrl.