A coluna Babel de 6/8


[Publicada no Sabático]

BABEL

Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo

REVISTA
Machado de Assis, o primeiro antropófago brasileiro

“Nosso primeiro grande antropófago não foi Oswald de Andrade, e sim Machado de Assis.” A frase é do professor de literatura da Uerj João Cezar de Castro Rocha, que participou de duas mesas sobre o modernista na Flip, e refere-se a uma edição que ele coordenou da Portuguese Literary & Cultural Studies (revista de ensaios da Universidade de Massachusetts Dartmouth), prevista para sair aqui como livro este semestre pela Alameda. O número editado por João Cezar saiu por lá em 2005 e seu título original, The Author as a Plagiarist, causou incômodo entre acadêmicos brasileiros que entenderam “plagiário” num sentido por demais literal. “Há mais de dez anos, nos países de língua inglesa, discute-se o caráter criativo do plágio, não no sentido de cópia”, diz Castro Rocha, que busca nos textos de Machado exemplos para defender a tese, apoiada por ensaios de Alfredo Bosi, Antonio Candido e estudiosos de outros países. No Brasil, optou-se por um título comportado “até demais”, Machado de Assis – Ensaios e Revisões. Além desse volume, Castro Rocha já havia sido editor convidado de outro número da revista, em 2001. Agora, assume o cargo fixo de editor executivo da publicação semestral. Começa organizando volume sobre o futuro da lusofonia, para junho de 2012. Além disso, inicia a edição, para a mesma universidade, de New History of Brazilian Literature, primeiro livro do gênero a sair originalmente em inglês e que fica para 2014.

FILOSOFIA
Ao mestre com carinho

Sai em setembro título anunciado pela Iluminuras como a primeira biografia intelectual de Roland Barthes (1915-80) feita no Brasil. O Crítico Se Ele Ainda Existe fez Leda Tenório da Motta se debruçar sobre a farta obra completa do francês. Ex-aluna do pensador, ela se lembra da manhã, em Paris, em que viu no portão da universidade um bilhete avisando sobre um acidente de Barthes – ainda não se sabia que seria fatal.

*

A conclusão do novo olhar sobre Barthes: “Você descobre, assombrado, que aquele que parecia o pensador mais frágil de sua geração é o mais coerente”. Para Leda, o filósifo “cada vez mais se mostra o melhor representante de sua geração. E, com isso, estamos falando de Michel Foucault, Levy Strauss, Jacques Lacan e Jacques Derrida”.

QUADRINHOS
Cadáver ao mar

Uma criança vê no mar um cadáver de mulher. A partir daí se desenvolve Castelos de Areia, que abre, em setembro, a linha de HQs do selo Tordesilhas. Pierre Oscar Lévy, autor do texto ilustrado por Frederik Peeters, é documentarista, vencedor da Palma de Ouro de curta-metragem de 1983.

FRANKFURT
A primeira vez

Embora a CBL tenha preparado para a Feira de Frankfurt, em outubro, um estande 50% maior que o do ano passado, uma das maiores editoras do País não participará dele. A Record, que se prepara para as celebrações de seus 70 anos em 2012, estreia estande próprio nesta edição.

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Sobre a situação do mercado nos últimos meses, a diretora editorial Luciana Villas-Boas diz que as vendas deram uma esfriada, mas percebe um efeito colateral: “Acabam saindo mais títulos, porque as máquinas ficam menos ocupadas com reimpressões”.

MINISSÉRIE
Refeito para a TV

A ficção jornalística O Analfabeto Que Passou no Vestibular (2008), de Felipe Pena, ganha este mês reedição mais enxuta e com novo título, Fábrica de Diplomas. A mudança acompanha o nome provisório de minissérie baseada no livro que o autor está adaptando para a Globo. Junto com a reedição, sai também pela Record O Verso do Cartão de Embarque, o novo romance, que costura sete vozes narrativas.

CINEMA-1
DiCaprio e o Demônio

O Demônio da Cidade Branca, de Erik Larson, vai virar filme com Leonardo DiCaprio em 2013, mas antes disso ganha reedição no Brasil. Só que pela Intrínseca, e não pela Record, que o lançou em 2005. Pela nova casa no Brasil, o best-seller publica também seu novo título, In the Garden of Beasts.

CINEMA-2
Thriller no papel

De 2005, Drive, de James Sallis, acaba de ser comprado pela Leya. O interesse na obra foi posterior ao sucesso no cinema: o thriller baseado no livro, com Ryan Gosling e Carey Mulligan no elenco, rendeu ao dinamarquês Nicolas Winding Refn o prêmio de direção no Festival de Cannes. O longa, sobre um dublê que à noite trabalha de motorista para bandidos, estreia nos EUA em setembro. Por aqui não há data prevista para o filme, mas o livro sai ainda este ano.

EXPORTAÇÃO
O livreiro na Espanha

Serão mais simpáticas que a guerra de 2010 entre polícia e traficantes notícias do Complexo do Alemão que chegarão à Espanha em 2012. Direto do morro carioca, desembarca por lá a história de Otávio Junior, que, de maleta a tiracolo emprestando livros a moradores, atraiu tantos leitores que acabou abrindo uma biblioteca na favela. A Panda Books acaba de vender os direitos de O Livreiro do Alemão para a Ediciones Ambulantes.

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5 Respostas

  1. O ilustrador do livro Castelos de Areia é o mesmo Frederik Peeters de Lupus e de Blue Pills..?

    Blue Pills conta as memórias do autor com sua namorada que é HIV positivo (http://www.ocafe.com.br/2011/04/09/blue-pills-de-frederik-peeters/).

    Gosto da narrativa e da arte dele. Espero que publiquem outras coisas dele.

    No aguardo.

  2. Raquel,
    Não seria Otávio Júnior – e não Otávio Cruz – o nome do autor que vai ter o livro O livreiro do Alemão publicado na Espanha?

  3. Sobra a nota “Frankfurt” e a manifestação da diretora editoral Luciana Villas-Boasm da Record, gostaria de aqui deixar registrado o seguinte: de uns anos para cá só leio romance policial de escritor inglês C. J. Sansom, editados aqui pela Record. Um ano após o lançamento do quarto da série histórica passado na Inglaterrra de Henrique VIII, “Revelation” (os outros 3 a Record já havia publicado), entrei em contato com a editora em 2009 e avisaram-me que seria lançado em outubro de 2010. Não saiu. Em novo contato com a editora, a Srta. Mariana Ribeiro, em 12 de janeiro de 2011, informava-me que seria lançado em abril. Não foi. Em novo contato, a mesma srta.. informava-me que “o livro estará nas livrarias a partir de 12 de junho”. Nada aconteceu. Na época eu já a informava que já havia uma tradução em Portugal desde o ano anterior e o autor já havia lançado o 5°ivro da série. Mas de lá para cá não soube de mais nada a não ser que o livro não saiu. O mmotivo pelo qual nunca soube. Um grande abraço deste seu leitor.

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