Como a Penguin se reinventou em 75 anos


Os primeiros paperbacks da Penguin apareceram no verão de 1935 e incluíam obras de Ernest Hemingway, André Maurois e Agatha Christie. Eles tinham códigos de cor (laranja para ficção, azul para biografia, verde para policiais) e custavam só US$ 0,6, o mesmo preço de um maço de cigarros. Mudava para sempre a maneira como o público pensava sobre livros – a revolução do paperback tinha começado.

O trecho acima, do site da Penguin Books, tenta esclarecer a reviravolta que a editora fez lá atrás, com livros baratos e bem editados, já que, na época, “se você quisesse ler um bom livro, precisaria ou de muito dinheiro ou de um cartão de biblioteca”.

Anos depois, a editora foi também uma das primeiras a perceber que podia explorar novas tecnologias. Em 1992, lançou seus primeiros audiobooks, esse mercado misterioso que ainda hoje faz sucesso mesmo entre quem pode ler. Tornou-se também a primeira editora a ter um site e a primeira a abrir uma e-bookstore.

Isso tudo está no site deles, mas daí me lembrei de que a ânsia por se adequar resultou em alguns tropeços. Em 2007, na Era de Ouro da Wikipedia, a editora apostou num projeto arriscado, o A Million Penguins, que abriu espaço para o público escrever um romance a milhões de mãos. É claro que deu tudo errado.

"Ok, é isso. Parem de escrever e baixem seus lápis"

Apurei a pauta para a Ilustrada na época e cheguei a falar com o coordenador da coisa, que lamentou: “Alguém escreve algo e no dia seguinte outra pessoa vai lá e muda absolutamente tudo. Não sei se vai chegar a algum lugar“. Bem, não se pode negar que era engraçado ver a história virando do avesso dia após dia.

Anyway, não dava para esperar que, ao completar 75 anos, a Penguin fosse uma senhora ultrapassada. Ontem, no anúncio do iPad, lá estava ela entre as editoras que fecharam acordos de distribuição de conteúdo com o iBooks, da Apple.

Ver uma editora se adequar assim faz desconfiar dos comentários apocalípticos sobre o mercado editorial. Ok, o mercado fonográfico não conseguiu se adaptar e se afogou, como relataram à exaustão todos os veículos na última década, mas, enfim, músicos sempre podem viver de shows. O mercado cinematográfico se reinventou, com o 3D, principalmente (dia desses vi Up, da Pixar/Disney, em casa, e achei bem mais sem graça do que todas as críticas que li, de gente que viu no cinema).

O mercado editorial tem todo um histórico para tentar se adequar e não perder a mão. Para as editoras que resistem ao futuro, a Penguin é um belo exemplo.

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