(Re)lançamento


Não vi Invictus e sei que vou ver em breve, embora minha relação com filmes do Clint Eastwood tenha algo de estranho – não posso deixar de ver e não consigo parar de reclamar. Gosto de detalhes, mas quero largar no meio quando vejo coisas como a família da Menina de Ouro chegando da Disney no hospital e enfiando uma caneta na boca dela para que assine um testamento ou a neta do velhote de Gran Torino deixando claro que só quer a herança.

Dá para entender que um drama é um drama com bem menos que isso.

Dito isto, tenho medo de saber o que ele fez com a história de como Mandela acabou com o apartheid, que já é uma trajetória do herói mesmo sem tintas dramáticas. Mas verei porque, vamos combinar, Morgan Freeman como Mandela deve ser demais. E porque o recorte, a Copa de rúgbi que uniu brancos e negros na mesma torcida, é dos mais interessantes sobre a segregação racial na África do Sul.

No ano passado li o título que inspirou o longa, Conquistando o Inimigo, do britânico John Carlin, cujo lançamento quase não foi falado, e vi que agora voltou às livrarias, com a clássica sobrecapa no estilo “Oi, também estou nos cinemas! Me leva?”.

Eu era assim...

...e fiquei assim

O livro tem drama o suficiente para Clint Eastwood se refestelar (tanto que, oh god, na introdução o autor admite que sabia correr o risco de cair numa espécie de autoajuda). Mas, vá lá, é um detalhado retrato da política e da sociedade sul-africana naqueles anos, e isso não como sinônimo de maçante – há informações ali para se surpreender a cada par de páginas. Escrevi sobre o livro e a volta às livrarias no Caderno 2 de hoje.

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3 Respostas

  1. Eu acho lamentável estas propagandas no livro dizendo que os mesmos foram para as telonas, me dá uma vergonha alheia enorme.

    Um escritor como McCarthy por exemplo ter esta sobrecapa dizendo que tinha um filme ganhador do Oscar, dos Irmãos Cohen com tais e tais atores é uma vergonha.

    No mais, parabéns MESMO pelos textos, gostei muito, voltarei.
    abraço.

    • Oi, Arlen, obrigada. Que bom que gostou. Ainda é um começo, estou buscando um formato, então é bom ter um retorno. =)

      Sobre livros, sim, vergonha. E pior que livro com sobrecapa são aqueles livros que são comprados pelas editoras na pressa só porque vai sair o filme e JÁ SAEM da gráfica com atores na capa. Péssimo…

  2. Gostei sim tá perfeito.

    Deve ser por isto que o McCarthy(inclusive espero um texto seu sobre ele eheh) se esconde da imprensa e do público. Inclusive estão tentando produzir o filme do Blood Meridian e imagino que será uma leitura muuuito indigesta para 98% das pessoas que acreditarem na sobre capa.

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